sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sobre avessos e imbecis...



         O mundo anda tão complicado que está do avesso, como disse Cássia Eller, interpretando Nando Reis: O mundo está ao contrário e ninguém reparou...
         Criminosos têm mais direito que pessoas de bem, estupradores e pedófilos têm assegurados seus direitos e se tornaram vítimas da sociedade. As vítimas verdadeiras são consideradas culpadas por serem bonitas ou pela roupa que usavam...
         Ladrões de bilhões ou trilhões são considerados para a vaga de presidente do país e há uma impunidade perturbadora.
         Fico me perguntando onde isto tudo começa?
         Aí encontro estudantes de um curso superior, onde a premissa mais valiosa é a verdade e o conhecimento, onde ética é essencial colando nas provas e se ofendendo pelo protesto dos que estudam. Outros se ‘sentem de saco cheio’ por se acharem alvo destes mesmos protestos, sendo que se não colaram deveriam estes sim ficar tranquilos, mas sua intranquilidade versa no campo da culpa...
         Hoje parece ser assim, quem mente se ofende com quem fala a verdade. Ser correto e íntegro se tornou ofensivo de tanto blefe que se vê. A vaidade desestruturada dos egocêntricos é arranhada pela sinceridade dos que falam a verdade. Ser sincero hoje em dia é correr o risco de ser considerado incorreto.
         Talvez a coisa mais certa em todos os casos é que intolerância é a máxima de todas as tribos e ninguém respeita mais ninguém...
         E como disse Leandro Karnal, parafraseando Umberto Eco, o Facebook e as redes sociais deram voz aos imbecis que têm seu arroubo filosófico pensando para fora do ser no por quê de ser de um recipiente para objetos escolares...

Sobre Tobias e o silêncio...



         Dizem que nos anos 70, talvez antes, Bruce Lee escreveu um roteiro de um seriado chamado A Flauta Silenciosa. Este roteiro ao ser apresentado para Hollywood foi rejeitado, pois o próprio Bruce Lee queria ser o ‘mestre silencioso’, ou seja, o protagonista da série. Nesta época ele não era nem de longe o mito que veio a ser posteriormente. Nesta época os diretores dos grandes estúdios queriam heróis do tipo ‘Capitão América, Batman e Super-Homem e não um asiático baixinho e mirrado.
         Então, plagiando a ideia dele, fizeram “O Mestre do Kung-Fu” com David Carradine. Bom e daí, talvez você me pergunte. Daí que quando pensei em escrever para este meu sobrinho esta história me veio à mente, de um mestre silencioso. Na ideia original A Flauta Silenciosa, que até parece uma ironia, pois todos queremos o ‘som da flauta’. Mas esta era a ideia, do imperceptível e infalível, do silencioso, mas profundo. Daquele que não precisa alardear seus feitos e talentos, mas que realiza, em silencio, sua obra.
         Esta é a ideia que me vem quando penso neste ‘menino’ que domina a Física, matéria que sempre me fascinou e fascina. Nas intrigantes equações e na exatidão de seu domínio. Muito além do E=mc², ou nas mais variadas simplificações, na exatidão mística da quântica ou na capacidade de medir movimentos, velocidades e forças variáveis, ou ainda na possibilidade de calcular o tempo através da velocidade...
         Que este doutorado nos ensine muito, mas que te faça crescer, sem medo de olhar dentro dos buracos negros, mesmo que seja para descobrir o universo numa casca de noz. E que junto contigo muitos possam evoluir, teus alunos, teus colegas e nós, tua família...
         Aprendemos a te ter por perto, mesmo que em silencio na maioria do tempo. Mas hoje, longe, aceito em Harvard muito depois de ter sido sempre aceito em nossos corações. O orgulho que nos envolve pelo simples fato de dividirmos códigos genéticos e alguma semelhança, vai muito além do que se pode mensurar. Segue teu caminho, destino, missão ou o que achares por bem de chamar, quero te dizer Tobias, que podes ser quieto, mas jamais serás uma sombra, pois tu tens a tua luz e mais do que isto podes calcular toda a sua trajetória.

Sobre emoções guardadas...



        “Para onde vão os nossos silêncios, quando deixamos de dizer o que sentimos”?
        Li esta pergunta e me pus a tentar responder esta pergunta. Sabemos que o que é dito reverbera, se propaga infinitamente no espaço em ondas sonoras e talvez seja por isto que as escrituras dizem que daremos conta de cada palavra frívola proferida. Talvez um dia o fluxo seja invertido de alguma forma e elas voltem...
        Mas acredito que as não ditas são mais intrigantes, mais sufocantes também...
        Alguns acreditam que se transformam em câncer, adoecendo-nos, machucando-nos e por fim aniquilando-nos...
        Eu já disse várias vezes que meu silêncio é muito mais eloquente do que o meu falar. E gosto imensamente da frase: Se ficam brabos com o que falo imagina se soubessem o que calo?
        O que pensamos e não dizemos acredito que fica por ali, esperando hora oportuna, são pensamentos múltiplos de todos os assuntos, uns facilmente esquecidos, outros mais insistentes, mas apenas pensamentos...
        E o que sentimos?
        Aquelas sensações e sentimentos em nossa alma, em nosso coração, nos nossos recônditos. Será que realmente se acumulam em algum ponto de nós mesmos? Será que nos causarão ansiedade? Será que se acumularão nos fazendo engordar ou emagrecer?
        Talvez irão para um lugar chamado reminiscências da memória e ali aguardarão um novo ponto de toque, um olhar, uma palavra, um gesto que os façam voltar feito uma torrente?
        Talvez em algum dia, sem mais nem menos, venham feito uma cascata de lágrimas esvaziando aquela reserva de sentimentos...
        Não sabemos ao certo, mas um dia perceberemos que todas as emoções e sentimentos escondidos se tornam algozes de nós mesmos e serão limitadores de nosso fluxo de vida e um dia poderão apagar nossos sorrisos e engessar nossa espontaneidade. Por isto fale do que sente, expresse suas emoções, coloque elas ao sol, à luz e as deixe arejarem para que se fortaleçam ou sumam feito poeira soprada...
        Ninguém deve calar o coração...