sábado, 22 de maio de 2021

E o teatro ainda é dos vampiros...

 

            Em 1991 foi lançada a música “O Teatro dos Vampiros”, da Legião Urbana. Sempre gostei desta música, como bom legionário que sou, mas nestes tempos ela tem feito muito mais sentido. E é um sentido tanto semântico, quanto emocional, num sentir constante desta situação que se vive, este momento caótico. Onde, como diz a música, ‘quando me vi, tendo de viver, comigo apenas e com o mundo’, este mundo pandêmico e insano ao extremo. E somos levados a refletir, questionar, tentar entender que mundo é este, que país é este?

            Quando o riso se tornou a resistência, compreendemos que não há graça em tantas mortes, somos solapados por perdas e danos constantes e que parecem não ter fim. Nos deparamos com o circo brasiliense no planalto, onde o marionete obediente mente e encobre, ou tenta encobrir um rastro de tantas incompetências...

            Onde o ‘imorrível’ morre um pouco a cada dia na sua falácia obcecada por relacionamentos e figuras fálicas, impune e indiferente, não sei se por insensibilidade ou por falta de capacidade intelectiva para compreender que nos fez ter vergonha internacional, dor e comoção nacional e lutos pessoais sem fim.

            Seguem neste ‘teatro’ dos horrores, dilapidando nossa esperança e nosso horizonte, neste caos a letra se faz real em cada rosto institucionalizado pela agressão, o abuso e a morte da infância e da juventude, pelas mãos de bandidos caseiros, em crimes familiares. Onde infelizmente são os rostos inocentes que pagam, enquanto os bandidos estão livres. E pior do que isto, fazendo lives, vídeos e ‘representando’ seriedade e bondade inexistentes.

            Seguimos ouvindo discursos sem sentido e sem prática, na política, na igreja e em todo lugar que deveria nos acalentar, mas que apenas nos indigna. Nestas horas não sabemos mais o que fazer, atônitos, seguimos tentando nos reconstruir a cada dia para habitar mais um dia neste país que é governado por vampiros, que são sustentados pelos mais diversos monstros e defendidos por uma horda de imbecis que parecer gostar de ver este quadro dantesco, que não tem nada de divino, nem de comédia.

            Espero que um novo dia rompa esta escuridão e possamos ver todos eles virarem cinzas...


domingo, 11 de abril de 2021

Por que?

 

            Sempre escrevo algo sobre coisas importantes, busco sempre expressar o que vejo e acredito ser importante que seja dito. O caso do menino Henry é um assunto tão triste que pensei em não escrever nada, mas não é possível...

            Chegamos num tempo tão hediondo que não se encontra mais esperança de seguir em frente. Lembro-me da comoção pela morte da atriz Daniella Perez, assassinada pelo ator e colega dela, Guilherme de Pádua, hoje ‘pastor evangélico’. Diversos crimes foram ‘chocantes’ e comoveram um país. Mas hoje em dia parece que há um acostumar-se com a morte, com o crime, com a corrupção, com a irresponsabilidade e com todo tipo de maldade.

            A morte deste menino, não só nos impacta e choca como também nos leva a uma desesperança. Somos solapados por noticias que achávamos que não seriam possíveis. Como o título de um filme antigo (Matou o marido e foi ao cinema), vimos uma mãe ir para o salão de beleza, durante a investigação da morte do filho. Conversar com uma babá que relatava uma situação de perigo para o seu filho, enquanto seguia suas ‘atividades’ na futilidade de sua vida. Uma mãe que tira ‘selfies’ na delegacia. Um padrasto agressor, covarde e monstruoso que em sua defesa se diz ‘amigo’ da cantora, deputada e ‘evangelista’ Flor de Lis, que também é mandante de assassinato...

            Por que Henry foi morto? Por estar sendo uma criança? Por ter ‘incomodado’? Ou por que mais uma vez (das tantas que aconteceu), um bandido foi eleito e reeleito até achar que podia estar acima da lei?


            Há bem pouco tempo escrevi um texto que diz que o mundo está ao contrário e ninguém reparou, mas é bem pior do que isto: o mundo naufragou como o Titanic e o Brasil está nas classes de baixo, onde a água já invadiu.

            Temos um louco governando uma corja de assassinos e mandantes de crimes, não só deste tipo (como o caso Marielle Franco), mas também como os que são deixados para morrer sem ar e sem vacina. Mas o pior ainda vai se desvendando nestes crimes que ‘o homem de bem, doutor vereador, assassino de criança’ se diz amigo da família bolsonaro em sua defesa e não vimos nenhuma manifestação nem do governo, nem da Damares, ‘defensora’ da família e dos bons costumes, que acha ser mais importante falar na cor da roupa do que na vida de meninos e meninas.

            Será que ficamos tão duros e desalmados que não nos importamos nem com o assassinato de um menino de 4 anos, nem os mais de 353 mil brasileiros mortos até hoje?

            Ou será que a nossa desumanidade latente nos levou a este momento tão triste onde nos sentimos sem esperança de mudança ou justiça alguma?

quarta-feira, 31 de março de 2021

Será que ninguém reparou?

 

            Então tudo começou a rodar, foi girando de uma forma imperceptível e quando vimos o eixo da humanidade havia se invertido...

            Talvez a gente não tenha observado, talvez estivéssemos distraídos, afinal o que não faltava era distração: Futebol, BBB 1,2,3... Escândalos de corrupção até acharmos que é normal, ou pior ao ponto de substituirmos sistematicamente um corrupto dito de esquerda, por um dito de direita até a corrupção se tornar ambidestra...

            A verdade é que nesta data (31 de março) tem gente comemorando o golpe de ‘64’, romantizando como aquela mulher que apanha do marido tanto e tantas vezes e quando se separa, se livra, romantiza que ele ‘a amava demais’ ou ‘era por ele ter ciúmes de mim’.

            Quando numa data triste como esta, do tipo que quem tem um neurônio funcionando e um mínimo de conhecimento para saber o que foi a ditadura, sabe que #ditaduranuncamais ...


            Me preocupa muito o caos instaurado, a inversão de valores, a defraudação de tudo que se possa acreditar ou valorizar como algo bom. Talvez seja como a música do Nando Reis que diz “o mundo está ao contrário e ninguém reparou”. Como ficamos assim?

            Será que foi quando não percebemos que muitos dos que surgiram para ‘melhorar o Brasil’ já eram dos corredores do poder, já faziam suas fortunas nos meandros das salas acarpetadas e gabinetes parlamentares?

            Será que foi com o caçador de marajás que acreditava que representar os descamisados era tirar o paletó e dobrar as mangas da camisa de marca e que logo depois afundou a mão na poupança dos brasileiros literalmente?

            Ou será que foram os sucessivos impeachments e as sucessões de vices, com seus ‘acordões’ e distribuições de cargos e verbas?

            Talvez não tenhamos compreendido que já faz muito tempo que fomos sendo manipulados por agentes dos bastidores políticos que articulam o tempo todo para darem um jeito de ‘levar algum’. Não percebemos que eles estavam em toda a parte das igrejas aos partidos, do público ao terceirizado, não licitações e nos conchavos. E pior ainda acreditamos de forma infantil que se o filhinho de papai cara limpa e ‘cheirador’ que não caça marajás não serviu a gente põe o metalúrgico barbudo e quando este não parece servir, trazemos o cara de militar (não importa se foi péssimo militar) e colocamos no lugar.

            E ainda alguns acreditam que depois do país virar o que virou por causa deles todos, que agora vamos para uma ditadura, esquecendo o que isto representa.

            Não quero ditadura, não quero gente morrendo, não quero ver gente enganada na hora da vacina, não quero U.T.I. lotada, não quero ver o que estou vendo. O Brasil só vai mudar quando rejeitarmos a corrupção de toda forma a começar por nós, na associação , no clube, na igreja, no partido, no mercado, na revenda, no trânsito e em todo lugar. E se entendermos que não há violência boa, nem em casa, nem na rua. Que não se pode bater em mulher, nem em criança, nem em idoso e nem em ninguém, que não maldade valida e nem mau caráter aceitável, independentemente de cor, credo ou ideologia.

sábado, 20 de março de 2021

Como saíremos da pandemia?

 

            


            Não, eu não tenho uma fórmula ou método para sairmos, sabemos de antemão que o único jeito é nos cuidarmos e cuidarmos dos nossos. Fazendo o que já foi dito incansável mente: álcool em gel, máscara e evitar aglomerações.

            Mas minha reflexão é sobre como estaremos quando isto tudo acabar?

            Não teremos mais muitas vozes e menos rostos para ver. Não teremos mais muitos amigos, irmãos, mães, avós e tios. Não teremos mais muitos cantores e atrizes e uma infinidade de profissionais de todas as áreas que partiram...

            Mas como estaremos, como seremos? Teremos aprendido lições e quais lições?

            Espero sinceramente que tenhamos aprendido que:

            - Políticos só se importam com eles mesmos e com seu bem estar. Pois fizeram a campanha eleitoral mesmo arriscando a vida de eleitores. Garantiram seus ganhos, seus aumentos e vantagens e ignoraram as necessidades da população. Seguiram se elegendo com mentiras e falsas promessas. E quando posam em fotos destinando verbas como se fossem bem feitores, o fazem com o dinheiro do povo, dos nossos impostos (porquê não doam os salários ao invés de ‘verbas’?). E o pior deixaram chegar ao ponto que estamos (UTIs lotadas e sem mais insumos para intubar novos pacientes).

Será que aprenderemos a votar? Será que deixaremos de ser idiotas e daremos um grande não para eles nas próximas eleições?

            - Líderes religiosos que ficaram milionários oferecendo curas e libertação em troca de dízimos e ofertas, hoje sumidos, se vacinam em Israel. Edir, R.R, Valdemiro e outros tantos líderes de cegos, sem poder e sem honra. Apóstolos, ou melhor após tolos.

            Será que aprenderemos as lições do evangelho? Que Jesus está em nossos corações e não em templos e que Ele não nos pede nada em troca senão o amor ao próximo. E que este amor ao próximo não é fazer ações sociais e se promover nas redes sociais, pois quem faz suas obras diante dos homens já recebeu sua recompensa. Será que os repudiaremos? Será que aprenderemos que não precisamos seguir ninguém aqui nesta terra para sermos abençoados?

            Espero sinceramente que o povo que sobreviver seja mais humano, mais gente boa, mais sincero e honesto, altruísta e empático. E que compreendamos que ou nós evoluímos ou ficaremos muito tempo penando, lamentando e lambendo as feridas, sem ter aprendido nada.

sábado, 6 de março de 2021

Até quando ficaremos chorando?

 

            Na semana que a pandemia chegou ao nível pior já visto, ouvimos estas duas frases: “Tem que comprar vacina, só se for na casa da ‘tua mãe’” e “Chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando?”

            Todos sabem que ser as proferiu, e o pior, alguns ainda o defendem. Então se faz necessário uma resposta, não só minha (sou apenas um cidadão brasileiro desempregado como milhares), mas do povo que pensa e que não pasta, que fala e não muge...

            Quando este que chamam de ‘mito’ diz a primeira frase, ele não a diz somente ao repórter que perguntou, mas a todos nós, muitos de nós que já perderam suas mães. Esta frase era típica nas escolas, na hora do recreio, como resposta ofensiva entre garotos, coisa de moleques. E é isto que ele é: um moleque de boca suja que ofende a todos e ri do que não compreende (por isto que ele ri tanto, pois não compreende nada).

            A segunda frase é a frase do descaso, da indiferença e do mal caráter que desdenha a dor alheia, que afronta as milhares de mortes. Típica frase dita por estúpidos que não sabem o que falar, ou melhor que fala asneiras para desviar a atenção da compra de uma mansão pelo filho corrupto, réu no esquema das rachadinhas.

            A esta cabe uma resposta:

            Até quando vamos ficar chorando?

            Ficaremos chorando enquanto nossos queridos morrerem sem ar, pois o sistema de saúde sucumbiu pela sua incompetência...

            Choraremos enquanto virmos a impunidade instaurada, o desmonte da saúde, da educação e da cultura...

            Ficaremos chorando enquanto tivermos lágrimas e força para aguentar tanta dor e tanta perda.

            Choraremos pelo Brasil que virou piada e símbolo de incompetência, pelo seu descaso senhor ‘capitão’ ou seria ‘capetão’, uma vez que foste expulso do exército e como esperamos que seja retirado do cargo e da nação...

            Ficaremos chorando pelos nossos amigos que ainda acreditam em ti e oraremos para que eles acordem e vejam quem tu és, para que se possível nunca mais se repita o erro de se achar que qualquer um serve para a mudança que se espera.

            Enfim, vamos ficar chorando enquanto em nós houver humanidade, empatia e solidariedade, coisas que não conheces. Enquanto tivermos amor à vida e pelas vidas que sucumbem dia a dia, nós ficaremos chorando, mas também levantaremos nossa voz contra teus crimes e contra teu deboche hostil e destrutivo.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Uma janela fechada...

 



            Passamos por momentos terríveis, em todas as esferas, são tempos difíceis, não só pela pandemia, nem somente pela crise econômica e nem mesmo pela bandidagem que há tempo nos governa (entenda-se bandidagem por todos corruptos, desonestos e safados dos mais diversos partidos)...

            Assim como, em nossas vidas privadas, todos, de uma forma ou de outra sofremos. Temos perdas, decepções e desafios. Confiamos e somos traídos, acreditamos e somos descartados. Enfim sofremos com o descarado narcisismo de incautos que estão no poder, bons de bico, mas ineptos para os cargos que ocupam...

            Dizem que quando Deus fecha uma porta, Ele abre uma janela. Esperamos diante da janela, ainda fechada, ao lado da porta batida em nossa cara. E o que fazer?

            Quando tudo parece obscuro e sem esperança, ficamos tristes, atônitos e desalentados, pois não conseguimos ver adiante. Os próximos passos, as novas oportunidades, não estão ao alcance da nossa vista. Nestes momentos somos levados ao nosso limite, com a corda esticada ao máximo, não sabemos se aguentaremos...

            Nesta hora, em que eu mesmo me sinto assim, lembrei de um dia em que fui em uma casa, de alguém muito próximo a mim e que desfruta de uma vista maravilhosa, uma vista que eu gostaria muito de ter sempre, como ele tem. No dia que fui lá ele estava assim como eu me sinto, como descrevi, e eu lhe disse que dependia de como ele olhava a situação, então percebi que a janela que dava para vista que eu tanto apreciava, estava fechada...

            E é assim, não percebemos em tantas vezes que a janela esta fechada, que precisamos ter uma atitude, que depende só de nós mesmos. Pessoas se aprisionam em relacionamentos fracassados, não são felizes, se agarram em fugas, desculpas e vícios, mas não abrem a janela, não olham para além...

            É difícil ser otimista nestes momentos, mas ainda podemos contemplar, nos encantarmos e reconstruirmos nossa esperança. A vista está lá fora, a beleza, o cenário, a vida, mas precisamos abrir a janela...


sábado, 19 de dezembro de 2020

Se eu pudesse falar com o jovem que fui...

 

            Já errei muito na vida, fiz muitas escolhas que me arrependo e que se pudesse agiria diferente, acredito que todos nós nos sintamos assim em algum momento da vida. Como disse um filósofo certa vez ‘a vida é se equilibrar entre escolhas e consequências’, acredito nisto e acredito também como outro disse: ‘mais cedo ou mais tarde todos nós nos sentamos para um banquete de consequências de nossas ações’.

            Gosto especialmente de duas figurações sobre este assunto:

            A primeira, Jesus e a mulher surpreendida em adultério. A segunda uma cena do filme ‘Um Sonho de Liberdade’.

            Quando a multidão ‘piedosa’ arrasta a mulher até Jesus e a acusam de adultério, citam a lei de Moisés e tentam testar o mestre. Nas escrituras é dito que ele escrevia no chão com o dedo ou com um graveto na terra, alguns arriscam dizer que ele escrevia palavras de amor. Ele então resolve a situação: Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra. Sabemos o resto da história...

            Na segunda situação, Red, personagem de Morgan Freeman, entra para ser avaliado para a condicional, após trinta anos na prisão Estadual de Shawshank e perguntam a ele se ele se considera reabilitado (já ouvi tanto esta pergunta), ao que ele responde que reabilitado ou recuperado é só uma palavra...mas se eles queriam saber se ele se arrependia dos seus erros de quando era mais jovem, ele diz sim e usa uma frase muito boa: Eu queria falar com aquele jovem que cometeu aqueles erros, dizer a ele para não fazer aquilo, mas eu não posso, porque a única coisa que sobrou daquele jovem é este velho aqui.

            Talvez você esteja pensando no que quero dizer com tudo isto, mas estou só desabafando e refletindo, como sempre faço e desta forma trago saúde emocional a mim mesmo. Os ‘piedosos’ continuam trazendo seus acusados, os julgadores continuam querendo ver as pedras fazerem sangrar, mas esquecem de que não haveriam pedras suficientes no mundo para aplacar nossos erros, nem haveriam pessoas que não acabassem sendo também apedrejadas.

            As pessoas esquecem que a nossa memória e os próprios atos são suficientemente danosos dentro de nós para que se precise fazer isto. Esquecem que a impossibilidade de reparar tantas coisas, de conversar com o jovem que fomos, já é dor suficiente para que sejamos outra vez arrastados pelos ‘piedosos’. Esquecem também de como era a verdade, antes de começarem a retocar ela para que fosse suportável para si mesmos.

            Faz já vários anos que reconstruo minha vida, é uma obra para muito tempo, até o último dia de vida, talvez para mais de uma vida. Mas para alguns não é suficiente, para alguns há uma necessidade de achar culpados. Aprendi que tinha que me enfrentar e fiz isto, durmo em paz com minha consciência e sei que faço uma boa caminhada, tentando cumprir minha missão nesta existência, não julgo ninguém, pois já fui julgado muitas vezes, não sigo ninguém, pois sei que eu sou o responsável por todas minhas escolhas e isto já toma tempo demais. Então acho que se alguém não gosta de mim, não me aceita como sou, é simples, basta me ‘deletar’ de seu viver e seguir em frente. Porque nas minhas mãos, não existem pedras e nem consigo falar com aquele que um dia eu fui.