domingo, 8 de maio de 2016

Deixar de ser...


       Nem sempre conseguimos ser satisfatoriamente bons, minimamente compreendidos e até por vezes somos dilapidados por um turbilhão de emoções...

         Perceber a necessidade do outro é uma arte, talvez uma ciência, ou até, na verdade, um mistério...

         A insatisfação latente e inerente a raça humana é quase imperceptível... nos outros, mas a nossa, ah a nossa já é uma outra história...

         Somos capazes, desde sempre de perceber a ira, a incoerência e o sentimentalismo... dos outros, mas com grande dificuldade é que percebemos as nossas próprias falhas...

         Somos tão bons em perceber e apontar os erros...

         Somos tão intensos em nossas verdades, mas esquecemos, quase sempre, que...

         Que o outro também precisa, precisa de compreensão, de atenção, de ser percebido e até sanado em suas necessidades...


         Ah o erro alheio, tão evidente... porém o nosso quão imperceptível é.

         Será? Será mesmo?

         Na verdade se víssemos como através de um espelho e percebêssemos que é para os outros, da mesma forma, evidente nossa limitação...

         Nesta noite, especificamente me sinto cansado, cansado de já há tantos anos buscar que seja percebida a mudança e a força despendida para recuperar minha credibilidade e resgatar minha dignidade. Sei que, quem quer que seja, que tenha um dia caído precisa sempre ser ainda mais forte, mais diligente, mais dedicado...

         Percebi que tem certas coisas que não se pode esperar.

         Aprendi que sempre e sempre pairará uma expectativa negativa ao que pensa ter sido traído em sua confiança...

         Ninguém ou pelo menos, muito pouca gente se pergunta o porquê que este ou aquele sucumbiu...

         Sei os meus motivos, foram difíceis de perceber e compreender...

         Foram, e isto é tudo... foram, já não são mais.

         Ficaram para trás... deixaram de ser.
 

         ...

         Mas e em que podemos estribar qualquer expectativa ou necessidade?

         Eu acredito firmemente que:

         Sei que há Um que se importa, que existe Um que acredita, aposta e aposta alto em cada um de nós.

sábado, 7 de maio de 2016

"mas não é todo dia"


            Não é todo dia, mas tem dias que a gente se apercebe, se compreende um pouco mais, se depara com nossas limitações e incapacidades... nossos limites...

            Não tenho poder se suplantar a dor...

            Não tenho poder se amenizar sofrimentos...
 
            Gostaria muito de ter...
            ...mas...



            Sou incapaz na maioria das vezes de exprimir, de expressar, de externar minhas intenções e nem mesmo minhas angústias e dores...

            Me deparo e me debato com toda esta insuficiência, com toda esta carga a ser carregada e esta imensa fraqueza que por vezes me abate...

            No meu querer está o desejo de acertar e crescer, me tornar melhor diariamente...

            Mas no entanto na maioria das vezes me debato comigo mesmo...

            A sensação de tentar e não atingir, a angústia de se perceber não ser suficientemente capaz de fazer alguém feliz, nem que seja por um instante...

            A percepção de que o se importar não é suficiente...

            Ah tanta limitação, ah esta pequenez, esta falta de poder...

            Te peço meu Deus, ampara-me...ajuda-me a não esmorecer...

            Ajuda-me na minha incapacidade...

            “Não me inclinar diante dos ídolos não faz de mim um justo...

         Anunciar a Tua palavra não faz com que me torne digno...

         Somente a Tua misericórdia me justifica”

         Que na minha fraqueza eu encontre a Tua força...

domingo, 1 de maio de 2016

Sermos sal...sendo luz também


Neste mundo caótico e completamente confuso, sem se saber como conduzir, como ensinar, como mensurar, seja o que for... Onde se tenta, quase que inutilmente, ter uma ideia ou noção de qual a situação que se vive e alguma, mesmo que ínfima, direção ou caminho...

            Neste quadro é que fomos chamados, e ainda o somos, para fazer a diferença, para nutrir esperança e quem sabe, se for possível, sermos exemplo...

            É justamente nesta situação em que a igreja, que deveria ser sal e luz, se perde, se torna insípida e cinzenta, perde as características elementares que a fazem ter uma razão de existir...

            Ser sal hoje é ainda mais pertinente do que foi no passado... Ser sal não para ser jogado nas feridas de quem já está machucado, mas sim dar sabor e causar a sede saudável do aprendizado e das águas que jorram e saciam a sede do sedento...

            Sedento de bons exemplos, sedento de amor, fé, compaixão e misericórdia... Sedento de ver gente real que erra sem eufemismos e que acerta sem jactância...

            Ser luz é neste momento ainda mais imperativo que foi no passado... Ser luz não feito uma sonda ou lanterna sobre o erro alheio, descobridor de falhas e defeitos, mas ser luz que ilumina, traz esclarecimento, tira o medo e a solidão daqueles que estão em trevas...

            Trevas de incompreensão, trevas de enganos e ludibriadores da boa-fé, trevas de corrupção e vícios, trevas de dissabores... Trevas de olhos sinistros e opacos, sem vida e sem alegria...

            Que nestes dias possamos, destituídos de legalismos e com as mãos limpas de regulamentos, dando a liberdade para as pessoas, porém ensinando que a liberdade que temos é para buscarmos ser o melhor possível, nos reparando e reconstruindo dia após dia, e sabendo sempre que se eu estou aprendendo então o meu próximo também está e se sou aceito devo aceitar também...

quinta-feira, 21 de abril de 2016

De que é construída uma igreja?


De que afinal é construída uma igreja?

            Para alguns ela é feita de pedras, tijolos e cimento, estes são “construtores de templos”, de prédios ou edificações, talvez porque entendam que isto é mais importante, o se ter um lugar...

            Para alguns ela é feita de pedras vivas, gente e amor, estes são como os apóstolos (os verdadeiros dignos de receber este título), entendem que A Igreja, a verdadeira, a Eclésia (Chamados para fora), não é construída para a edificação de egos, não para se erguer uma dinastia, muito menos suas juntas são engessadas, ou cimentas ou ainda concretadas...

            Esta é erigida com pedras vivas, constituídas de corações entregues, unidas e cimentadas com o cimento chamado amor, feito com a água da Palavra de Deus, coberta com o telhado da oração e alicerçada nos fundamentos da fé, fé autentica e viva...

            Não se constrói com julgamentos e fofocas, nem com invejas ou ciumeiras sem fim...

            Onde ser liberal é no sentido libertário, mas nunca libertino ou ofensivo...

            Onde ser tradicional é primar pelas tradições bíblicas e não por costumes inventados por homens, nem defender fisiologismos de neuroses...

            E que prédios, sem gente dentro é só patrimônio que ficará...

            Que cada homem e mulher chamado, lembre-se que lida com pessoas e estas são as pedras mais preciosas para o Senhor amado...

            Que lembremos que fomos chamados a amar uns aos outros e que Jesus mesmo disse: Nisto conhecerão que sois meus discípulos, SE VOS AMARDES UNS AOS OUTROS...
 
 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Cansaço...

Não espero ser lido neste texto...
Não espero ser compreendido claramente...
Não penso que detenho as respostas, mas sim os questionamentos. O desejo de compreender, a necessidade de poder confiar, mas também a certeza de merecer confiança.
Procuro ser claro, franco, sincero e objetivo, mas às vezes parece que falo outra língua...
Quem dera as pessoas dissessem o que sentem e pensam sem reservas, sem gavetas ou compartimentos secretos...
...
Talvez meu empenho sufoque e minha atenção seja demasiadamente pesada...
...
Não sei e por isto hoje prefiro a imensidão do meu silêncio...sim há silêncio em mim...
O que realmente te espantaria é o que penso e calo...

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Valores invertidos


            Como se chegou a este ponto? De onde surgiu tanto fanatismo e intolerância? Que tipo de “amigo(a)” que exclui, briga e questiona o outro só porque não concorda com sua opinião?

            O “fascista” destes dias não se mostra como dantes, ele se esconde na fachada de pensadores, ou ainda intelectuais defensores de direitos e de “justiça”... mas que justiça?

            Há uma inversão de valores, onde se diz que “se você não concorda comigo, já não gosto mais de você”... Onde os conceitos de amizade e respeito deixaram de ter valor, e mais do que isto, parece que as pessoas deixaram de dar valor as pessoas...

            Uma “ideia” ou ideologia não pode valer mais que uma amizade, e se vale, então é a amizade que não havia...

            Meu desejo é que nestes tempos de mudanças, nestas horas em que temos vergonha dos nossos representantes, dos nossos governantes e as vezes até de alguns amigos que parecem estar cegos, surdos, mas infelizmente não mudos e que sistematicamente repetem o que já parece ser um mantra, uma reza, uma cantilena chata e enfadonha, defendendo gente que não só traiu o povo, como também nem mesmo sabe quem são estes defensores apaixonados e tolos, que entram em embates desprovidos de razão...

            Se ofendem por gente que está lá com a conta recheada, tentando tirar a atenção de suas falhas, com um discurso “democrático”, mas nada prático em termos de coerência...

            Não sou defensor de nenhum “P”, não desejo a queda destes para a roubalheira daqueles, desejo sim que, mesmo que achem que é utopia, saiam todos, que haja uma reforma política, mas mais do que isto, que se valorize aqueles que temos aqui por perto e não atacar o próximo em defesa do distante que nem mesmo sabe seu nome...

            Que hoje, depois da palhaçada de ontem, a gente lembre que quem importa é a nossa família e nosso queridos, e que os “poderosos” pode ter certeza, estão pensando somente nos seus e no seu próprio bem estar...


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Para enfrentar as tempestades...e andar sobre as águas


            De repente surge a tempestade, a oscilação das águas, do vento... o caos.

         Seja o mover das ondas ou a fúria do vento, a instabilidade do barco jogado de um lado para o outro...

         O que me chama a atenção no texto de Mateus 14...

24 E o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário;

25 Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar.

26 E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo.

27 Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais.

28 E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas.

29 E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus.

30 Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me!

31 E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?

32 E, quando subiram para o barco, acalmou o vento.

 

...é que na intangibilidade, na instabilidade do momento, onde percebemos um terreno tão volátil que parece que vamos submergir neste mar, neste terreno duvidoso que se vive em todas as situações, em todos os seguimentos...

        Para todos os lados percebemos ondas de desespero, ventos de desolação, onde o barco parece estar para ir ao fundo de um momento para o outro...

        Onde os que eram para ser os “homens de fé”, estavam apavorados, onde os que haviam visto os pães serem multiplicados e a fome aplacada, se desesperavam, mesmo sendo pescadores experientes e acostumados naquelas águas, pareciam mais meninos medrosos...

        Hoje precisamos aumentar a nossa fé e sermos ousados, implacáveis contra a desesperança, irmos além, enfrentarmos as dificuldades e crermos apesar de tudo dizer ao contrário...

        É hora de crermos que não é o terreno que nos dá segurança, mas sim o Deus que firme segura a nossa mão...