Li o meu primeiro livro aos sete anos
de idade: O Pequeno Príncipe (de Exupéry). Nunca mais parei de ler e nem de
fazer amigos. Conta-se do menino Zezinho no portão da casa em São Leopoldo, RS
que ele perguntava a quem quer que passasse: - Oi, quer ser meu amigo?
Sempre os levei muito a sério e tenho
amigos daquela mais tenra infância até hoje, que fazem parte da minha vida, da
minha história e do meu facebook. Tenho amigos de mais de 40 anos de amizade e
que são leais e sinceros até hoje. Não mudaram quando tive as mais variadas
fases e formas de expressar minha fé, minhas ideologias e meus pontos de vista.
Desde o tempo de ouvir Bohemian Rhapsody do Queen, num ‘toca fitas K7, auto
reverse’ num opala SS, neste mesmo bairro onde o Zezinho buscava amigos e jogava
tacos.
Tenho amigos que me viram pregar o evangelho,
definhar na dependência e me reerguer e sempre mantiveram a mesma afinidade, afeição
e respeito. Tenho amigos que já viram minha face pior e nem por isto deixaram
de serem amigos...
Mas houveram pessoas que chamei de
amigos, afirmei que eram amigos e fui amigo sobre as mais diversas
circunstâncias, mas não eram, nunca foram.
Hoje em dia como diz no livro, ‘os
homens não têm mais amigos pois compram tudo pronto nas lojas e como não
existem lojas de amigos...’ Nas últimas semanas vi isto de perto e mais
intensamente e percebi que num mundo narcisista e ególatra é cada dia mais
difícil altruísmo e sinceridade, as pessoas aproximam-se de acordo com seus
interesses, querem concordância quanto as suas atitudes e julgam nossas
escolhas.
Nos últimos meses e até mais que isto,
revi minha vida, revejo-a sempre e desta forma pude perceber que muitas pessoas
que eu acreditava gostarem de mim, se tornaram indiferentes, outros que nunca
pensei poderiam de alguma forma me dar apoio e apostar em mim, fizeram justamente
isto.
Vi também que há sempre mais gente para
julgar e que o sucesso incomoda e como diz Leandro Karnal, se você quer ver se
uma pessoa gosta de você, veja se ela vibra com seu êxito, enquanto que os ‘falsos
amigos’ só acham bom quando você está na ‘lona’ e o juiz anuncia o ‘knockout’,
pois é mais confortável ter pena do fracassado do que lidar com o êxito e o
crescimento daqueles que achávamos serem ‘menores’...
Sempre me alegrei com o sucesso de
todos, sempre apoiei as diversas iniciativas, mas infelizmente na maior parte
das vezes enfrentei o despeito, o negativismo e o cinismo. Mas nada disto me
faz mudar, sou verdadeiro, sou autêntico e sei reconhecer meus erros, voltar
atrás e começar de novo quantas vezes for necessário...
Tenho amigos, por saber que somos sim
eternamente responsáveis por aqueles que cativamos e que a minha credibilidade
é a coisa mais importante que já conquistei e que me custou e me custa muito
caro.
Não preciso dos aplausos, não os busco.
Não quero os holofotes (afinal eles, nos olhos, cegam mais que iluminam),
prefiro ser farol que neon, ponte do que palco, transparência do que vitrine e
principalmente amigos do que fachadas.
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