domingo, 9 de julho de 2017

Sobre meu filho...



         Nem sempre se têm tudo planejado, mas algumas situações inusitadas, ou inesperadas podem nos trazer as melhores coisas, ou pessoas da nossa vida.
         Não podemos prever tudo, nem nos protegermos de tudo, por mais preparados que estejamos, a vida sempre nos reserva surpresas e cabe a nós transformar cada uma delas no melhor possível.
         Falar desta pessoa é se perder em adjetivos, mesclados a orgulhos só permitidos aos pais e mães...
         Ser pai dele é ser ‘O’ pai mais privilegiado do mundo. Desde sempre o admiro. O primeiro texto significativo que escrevi foi para ele, ainda em formação no útero de sua mãe e foi uma bênção para toda vida...
         Ver quem tens te transformado é um prêmio ainda mais valoroso e que me enche de ‘orgulho’.
         Hoje quero te dizer aquelas coisas que de vez em quando é preciso dizer e que todo pai, mais dia, menos dia fala:
         Filho, pode ter certeza, todas as coisas difíceis passam e de tudo que passamos, nesta maravilhosa vida, a memória tem uma qualidade mágica: guardar bem o que é bom e ir apagando o que entristece...
         Tudo o que podemos aprender, devemos fazê-lo e até o que parece não ter utilidade, devemos transformar em aprendizado...
         Parafraseando o texto do ‘filtro solar’ “só vamos perceber o quão maravilhosa é a vida quando dela pouco restar”. Os caminhos para Deus sempre passarão pelo nosso próprio coração, mas todo ensinamento é válido.
         Tu chegaste muito além de muita gente, mas te digo com a mesma certeza de que escrevi aquela carta quando ainda na barriga: Vais ainda chegar muito mais longe do que tu mesmo já tenhas imaginado, basta que queiras e acredites...
         O amor é algo transcendental e sublime, mas também é volátil e efêmero se for movido por paixão, não se define ou extingue apenas se transforma e assim nós também somos. O que somos hoje nem de longe representa o que éramos, mas e daí? A vida não para, nem para você se preparar, nem para você se reconstruir ou juntar os pedaços. E ainda parafraseando: Não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, a vida não para você juntar.
         Sejas tu sempre: Zem-Cristão, lutador-escritor, matemático-piadista, professor-aprendiz, mas sempre tu: meu filho, um Leão de Deus.
            Te amo...sempre

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Sobre moral e ética...



            Vivemos num país que se gaba de sua religiosidade, de sua cultura católica. Hoje mais religioso ainda pela disseminação das correntes evangélicas. A grande maioria se diz ou católica ou evangélica, todos ‘cristãos’ enfim...
            O que me admira neste contexto, onde há até ‘bancada evangélica’, é que parece que mais ainda se prolifera a corrupção e a imoralidade. Estive numa palestra esta semana que falava de ética e que gostei muito, porém é impossível não refletir sobre o assunto.
            Me parece que o nosso problema é moral, e não falo da moral ‘conjunto de regras éticas’, mas da moral individual, interior e pessoal. Dos conflitos que temos entre fazer e deixar de fazer algo, antes da questão coletiva, ou seja se vou ser descoberto ou não. É sobre aquilo que faço por mim mesmo, não porque alguém pode descobrir, aquilo que não faço por acreditar que não deva fazer, independentemente do que todos estão ou não fazendo.
            Hoje percebemos pessoas imorais, que deliberadamente vão contra seus sensos de certo e errado. Outras são amorais, parecem destituídas de qualquer sendo moral...
            Perceber estes contrastes é importante para se entender a sociedade hoje. Espero que não seja visto, este texto, como moralista, afinal esta é outra palavra mal interpretada. Pessoas assim deveriam ser chamadas de ‘legalistas’, pessoas que sabem como os outros devem se comportar e julgam-se no direito de ‘cobrar’ posturas alheias, independentemente de suas próprias atitudes...
            Se nós como indivíduos entendermos a simplicidade do ‘não fazer ao outro o que não desejo que seja feito para mim’ e nos colocarmos diante de nós mesmos com um senso moral pleno e praticá-lo, então e só então haverá uma possibilidade de uma esperança de conduta ética na sociedade.
            Sei que parece utópico, mas acredito assim e vou aqui me esforçando para fazer a minha parte com uma grande esperança que mais gente também faça...
            Somos tão bons em observar o erro do outro, seríamos tão melhores pessoas se fomos assim tão bons em observar e tratar nossos próprios.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Escuridão e holofotes...



         O conhecimento é frequentemente compara a iluminação, a sabedoria é comparada a luz. Usa-se a metáfora da luz constantemente, descrevendo o entendimento como o ‘clarear’, o iluminar a mente.
         Mas mais do que isto, se compararmos o ‘desconhecimento’ com a escuridão, a ignorância (de não querer conhecer, de ignorar) com o estar em trevas, ou cego.
         A medida que nos iluminamos, aprendemos e crescemos, mas há ainda um ingrediente interessante no processo, pois a luz também cega...
         Hoje em dia as pessoas querem fama, querem ser ‘iluminadas’ mas pelo lado de fora, sem conhecimento, sem consistência e solidez. O que ocorre com alguém em trevas, na escuridão e é iluminado repentinamente é ficar cego...
         E isto é o que tem acontecido, com políticos, artistas e líderes. Pessoas despreparadas que esquecem que ‘holofotes cegam mais do que iluminam’ e acabam por esquecer de onde vieram e perdem seu caminho...

         Entender que somos ínfimos, pequenos e nada mais que um pontinho no universo nos fará lembrar o quão limitados somos. Que o que sabemos é ainda muito pouco para acharmos que somos mais do que alguém. E que ainda nem mesmo percebemos quem e o que realmente somos...
         Lembrar sempre do dito da sabedoria oriental:
         “Não importa o resultado do jogo, no fim rei e peão vão para a mesma caixa”