sábado, 20 de março de 2021

Como saíremos da pandemia?

 

            


            Não, eu não tenho uma fórmula ou método para sairmos, sabemos de antemão que o único jeito é nos cuidarmos e cuidarmos dos nossos. Fazendo o que já foi dito incansável mente: álcool em gel, máscara e evitar aglomerações.

            Mas minha reflexão é sobre como estaremos quando isto tudo acabar?

            Não teremos mais muitas vozes e menos rostos para ver. Não teremos mais muitos amigos, irmãos, mães, avós e tios. Não teremos mais muitos cantores e atrizes e uma infinidade de profissionais de todas as áreas que partiram...

            Mas como estaremos, como seremos? Teremos aprendido lições e quais lições?

            Espero sinceramente que tenhamos aprendido que:

            - Políticos só se importam com eles mesmos e com seu bem estar. Pois fizeram a campanha eleitoral mesmo arriscando a vida de eleitores. Garantiram seus ganhos, seus aumentos e vantagens e ignoraram as necessidades da população. Seguiram se elegendo com mentiras e falsas promessas. E quando posam em fotos destinando verbas como se fossem bem feitores, o fazem com o dinheiro do povo, dos nossos impostos (porquê não doam os salários ao invés de ‘verbas’?). E o pior deixaram chegar ao ponto que estamos (UTIs lotadas e sem mais insumos para intubar novos pacientes).

Será que aprenderemos a votar? Será que deixaremos de ser idiotas e daremos um grande não para eles nas próximas eleições?

            - Líderes religiosos que ficaram milionários oferecendo curas e libertação em troca de dízimos e ofertas, hoje sumidos, se vacinam em Israel. Edir, R.R, Valdemiro e outros tantos líderes de cegos, sem poder e sem honra. Apóstolos, ou melhor após tolos.

            Será que aprenderemos as lições do evangelho? Que Jesus está em nossos corações e não em templos e que Ele não nos pede nada em troca senão o amor ao próximo. E que este amor ao próximo não é fazer ações sociais e se promover nas redes sociais, pois quem faz suas obras diante dos homens já recebeu sua recompensa. Será que os repudiaremos? Será que aprenderemos que não precisamos seguir ninguém aqui nesta terra para sermos abençoados?

            Espero sinceramente que o povo que sobreviver seja mais humano, mais gente boa, mais sincero e honesto, altruísta e empático. E que compreendamos que ou nós evoluímos ou ficaremos muito tempo penando, lamentando e lambendo as feridas, sem ter aprendido nada.

sábado, 6 de março de 2021

Até quando ficaremos chorando?

 

            Na semana que a pandemia chegou ao nível pior já visto, ouvimos estas duas frases: “Tem que comprar vacina, só se for na casa da ‘tua mãe’” e “Chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando?”

            Todos sabem que ser as proferiu, e o pior, alguns ainda o defendem. Então se faz necessário uma resposta, não só minha (sou apenas um cidadão brasileiro desempregado como milhares), mas do povo que pensa e que não pasta, que fala e não muge...

            Quando este que chamam de ‘mito’ diz a primeira frase, ele não a diz somente ao repórter que perguntou, mas a todos nós, muitos de nós que já perderam suas mães. Esta frase era típica nas escolas, na hora do recreio, como resposta ofensiva entre garotos, coisa de moleques. E é isto que ele é: um moleque de boca suja que ofende a todos e ri do que não compreende (por isto que ele ri tanto, pois não compreende nada).

            A segunda frase é a frase do descaso, da indiferença e do mal caráter que desdenha a dor alheia, que afronta as milhares de mortes. Típica frase dita por estúpidos que não sabem o que falar, ou melhor que fala asneiras para desviar a atenção da compra de uma mansão pelo filho corrupto, réu no esquema das rachadinhas.

            A esta cabe uma resposta:

            Até quando vamos ficar chorando?

            Ficaremos chorando enquanto nossos queridos morrerem sem ar, pois o sistema de saúde sucumbiu pela sua incompetência...

            Choraremos enquanto virmos a impunidade instaurada, o desmonte da saúde, da educação e da cultura...

            Ficaremos chorando enquanto tivermos lágrimas e força para aguentar tanta dor e tanta perda.

            Choraremos pelo Brasil que virou piada e símbolo de incompetência, pelo seu descaso senhor ‘capitão’ ou seria ‘capetão’, uma vez que foste expulso do exército e como esperamos que seja retirado do cargo e da nação...

            Ficaremos chorando pelos nossos amigos que ainda acreditam em ti e oraremos para que eles acordem e vejam quem tu és, para que se possível nunca mais se repita o erro de se achar que qualquer um serve para a mudança que se espera.

            Enfim, vamos ficar chorando enquanto em nós houver humanidade, empatia e solidariedade, coisas que não conheces. Enquanto tivermos amor à vida e pelas vidas que sucumbem dia a dia, nós ficaremos chorando, mas também levantaremos nossa voz contra teus crimes e contra teu deboche hostil e destrutivo.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Uma janela fechada...

 



            Passamos por momentos terríveis, em todas as esferas, são tempos difíceis, não só pela pandemia, nem somente pela crise econômica e nem mesmo pela bandidagem que há tempo nos governa (entenda-se bandidagem por todos corruptos, desonestos e safados dos mais diversos partidos)...

            Assim como, em nossas vidas privadas, todos, de uma forma ou de outra sofremos. Temos perdas, decepções e desafios. Confiamos e somos traídos, acreditamos e somos descartados. Enfim sofremos com o descarado narcisismo de incautos que estão no poder, bons de bico, mas ineptos para os cargos que ocupam...

            Dizem que quando Deus fecha uma porta, Ele abre uma janela. Esperamos diante da janela, ainda fechada, ao lado da porta batida em nossa cara. E o que fazer?

            Quando tudo parece obscuro e sem esperança, ficamos tristes, atônitos e desalentados, pois não conseguimos ver adiante. Os próximos passos, as novas oportunidades, não estão ao alcance da nossa vista. Nestes momentos somos levados ao nosso limite, com a corda esticada ao máximo, não sabemos se aguentaremos...

            Nesta hora, em que eu mesmo me sinto assim, lembrei de um dia em que fui em uma casa, de alguém muito próximo a mim e que desfruta de uma vista maravilhosa, uma vista que eu gostaria muito de ter sempre, como ele tem. No dia que fui lá ele estava assim como eu me sinto, como descrevi, e eu lhe disse que dependia de como ele olhava a situação, então percebi que a janela que dava para vista que eu tanto apreciava, estava fechada...

            E é assim, não percebemos em tantas vezes que a janela esta fechada, que precisamos ter uma atitude, que depende só de nós mesmos. Pessoas se aprisionam em relacionamentos fracassados, não são felizes, se agarram em fugas, desculpas e vícios, mas não abrem a janela, não olham para além...

            É difícil ser otimista nestes momentos, mas ainda podemos contemplar, nos encantarmos e reconstruirmos nossa esperança. A vista está lá fora, a beleza, o cenário, a vida, mas precisamos abrir a janela...


sábado, 19 de dezembro de 2020

Se eu pudesse falar com o jovem que fui...

 

            Já errei muito na vida, fiz muitas escolhas que me arrependo e que se pudesse agiria diferente, acredito que todos nós nos sintamos assim em algum momento da vida. Como disse um filósofo certa vez ‘a vida é se equilibrar entre escolhas e consequências’, acredito nisto e acredito também como outro disse: ‘mais cedo ou mais tarde todos nós nos sentamos para um banquete de consequências de nossas ações’.

            Gosto especialmente de duas figurações sobre este assunto:

            A primeira, Jesus e a mulher surpreendida em adultério. A segunda uma cena do filme ‘Um Sonho de Liberdade’.

            Quando a multidão ‘piedosa’ arrasta a mulher até Jesus e a acusam de adultério, citam a lei de Moisés e tentam testar o mestre. Nas escrituras é dito que ele escrevia no chão com o dedo ou com um graveto na terra, alguns arriscam dizer que ele escrevia palavras de amor. Ele então resolve a situação: Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra. Sabemos o resto da história...

            Na segunda situação, Red, personagem de Morgan Freeman, entra para ser avaliado para a condicional, após trinta anos na prisão Estadual de Shawshank e perguntam a ele se ele se considera reabilitado (já ouvi tanto esta pergunta), ao que ele responde que reabilitado ou recuperado é só uma palavra...mas se eles queriam saber se ele se arrependia dos seus erros de quando era mais jovem, ele diz sim e usa uma frase muito boa: Eu queria falar com aquele jovem que cometeu aqueles erros, dizer a ele para não fazer aquilo, mas eu não posso, porque a única coisa que sobrou daquele jovem é este velho aqui.

            Talvez você esteja pensando no que quero dizer com tudo isto, mas estou só desabafando e refletindo, como sempre faço e desta forma trago saúde emocional a mim mesmo. Os ‘piedosos’ continuam trazendo seus acusados, os julgadores continuam querendo ver as pedras fazerem sangrar, mas esquecem de que não haveriam pedras suficientes no mundo para aplacar nossos erros, nem haveriam pessoas que não acabassem sendo também apedrejadas.

            As pessoas esquecem que a nossa memória e os próprios atos são suficientemente danosos dentro de nós para que se precise fazer isto. Esquecem que a impossibilidade de reparar tantas coisas, de conversar com o jovem que fomos, já é dor suficiente para que sejamos outra vez arrastados pelos ‘piedosos’. Esquecem também de como era a verdade, antes de começarem a retocar ela para que fosse suportável para si mesmos.

            Faz já vários anos que reconstruo minha vida, é uma obra para muito tempo, até o último dia de vida, talvez para mais de uma vida. Mas para alguns não é suficiente, para alguns há uma necessidade de achar culpados. Aprendi que tinha que me enfrentar e fiz isto, durmo em paz com minha consciência e sei que faço uma boa caminhada, tentando cumprir minha missão nesta existência, não julgo ninguém, pois já fui julgado muitas vezes, não sigo ninguém, pois sei que eu sou o responsável por todas minhas escolhas e isto já toma tempo demais. Então acho que se alguém não gosta de mim, não me aceita como sou, é simples, basta me ‘deletar’ de seu viver e seguir em frente. Porque nas minhas mãos, não existem pedras e nem consigo falar com aquele que um dia eu fui.


domingo, 11 de outubro de 2020

Verdadeiro ou Falso?

 


            Tenho escrito menos ultimamente, pelo menos no sentido de textos reflexivos, pois estamos em meio a uma campanha eleitoral. Sempre estive mais na posição de quem iria votar, e vou obviamente, mas desta vez estou concorrendo também. Mas não quero falar disto hoje.

            Quero falar de nossa necessidade de sermos aceitos.

            Passamos o dia inteiro, desde que ajeitamos o cabelo pela manhã até a hora em que deitamos no travesseiro e nos permitimos descabelar outra vez, buscando a aprovação das pessoas. Até os que dizem não se importar, sucumbem diante da reprovação. É algo meio a frase do Renato Russo que diz que “quantas chances desperdicei, quando o que eu mais queria ERA PROVAR PRÁ TODO MUNDO QUE EU NÃO PRECISAVA PROVAR NADA PRÁ NINGUÉM”...

            Nossa necessidade persistente de sermos aceitos, nos leva a camuflar muitas vezes nossas verdadeiras intenções e motivações. Mas o mais interessante é que quanto mais uma pessoa tenta parecer o que não é, mais ela evidencia sua falsidade. Então, neste período eleitoral, te convido a refletir a respeito dos candidatos, inclusive a meu respeito, e suas atitudes comparando-as com suas ações.

            Não abra mão da verdade, do verdadeiro, do autêntico e principalmente do sincero. Não se deixe enganar, não se venda. Eu acredito muito que as se as pessoas prestarem atenção saberão em quem votar, em quem acreditar e a quem dar o direito de te representar. Somos o que somos e não uma imagem criada pelo filtro do momento político. Pense nisto e uma ótima semana.

O que o vereador faz? Vídeo 1

quinta-feira, 4 de junho de 2020