Muitas vezes observo e até fiz alguns posts sobre a incidência da luz e a forma como a luminosidade se expressa, transforma e nos apresenta o mundo. Um dia Jesus disse que ‘se teus olhos forem bons, todo teu ser será luminoso, mas se teus olhos forem maus, que grande escuridão será’...
domingo, 8 de maio de 2022
Sobre a luz...
domingo, 24 de abril de 2022
Eu não vou para o inferno...
As definições
etimológicas da palavra inferno vem desde os gregos e basicamente concordam na
questão de serem lugares baixos, mundo inferior, o reino de Hades...
Nossa fundamentalista
criação cristã nos apresentou o ‘medo do inferno’, de ir para o inferno, do
castigo, da danação eterna. Aprofundada de maneira ainda mais cruel nas
ramificações evangélicas pentecostais e neopentecostais. Destas últimas fiz
parte e me tornei por muitos anos pastor e pregador, ensinando as escrituras e
tentando ‘tirar’ o máximo de pessoas deste ‘destino’.
Depois disto tive a
minha própria viagem ao inferno e de lá consegui sair...
E então para que falar
disto e afirmar isto?
Porque eu não vou ir
para o inferno, não por ser santo, ou por ser ‘bonzinho’, mas simplesmente por saber
que não é assim, por ter aprendido, conhecido e compreendido de uma maneira
muito clara que:
Só vai ir para o
inferno quem afirma que este ou aquele irá. Só irá para o inferno quem faz da
vida do seu próximo um inferno. Quem exige condutas e moral sem cumprir estas
mesmas condutas. Quem na ganância se esqueceu do ‘de graça recebestes, de graça
dai’. Só vai para o inferno os que se autodenominam pastores, líderes e guias.
Só vão para o inferno aqueles que se esqueceram que precisam fazer o céu aqui
na terra para o seu próximo e não para si mesmo.
Só irão para o inferno
os fariseus e doutores da lei de hoje, que negociam nos templos à semelhança
dos fariseus dos tempos de Jesus, mas que hoje vendem tantas coisas e até o ar
e a água como se fosse santa, ungida ou sabe-se lá o quê...
O inferno não foi feito
para o sofrimento do homem que já sofre e luta para viver e sobreviver neste
mundo injusto e cada dia pior. O inferno foi feito para os que negociam o
perdão, vendem o céu, sobrecarregam os pobres e roubam o templo. Entenda-se o
templo aqui como o corpo de cada um onde habita o Seu espírito.
Só vai para o inferno,
para os lugares baixos, são os que vibram nesta frequência baixa, medíocre e
rasa, sem ver a grandeza de cada ser humano, expressão maior do amor de Deus.
Que cada um de nós
saiba que o céu é aqui e começa aqui. E está no coração dos que promovem a paz.
A eternidade é aqui, já esta acontecendo e cabe no sopro da vida que se vive de
maneira digna.
Só vai para o inferno
aqueles que se acham mais filhos de Deus que outros. Que colocam seus adesivos
e camisetas se dizendo filhos do Rei, como se os outros todos não o fossem. Que
usam carros com ‘propriedade de Jesus’, mas que não dão nem carona para os
milhares de outros coerdeiros dos mesmos bens...
O inferno mão é um lugar, mas um estado de espírito opressor que faz com que aqueles que deveriam ser os ‘homens e mulheres de Deus’ se tonem os algozes dos irmãos, mercadores de bênçãos e vendedores da graça...
sexta-feira, 19 de novembro de 2021
Tem um texto na Bíblia que eu gosto
muito que é a segunda multiplicação dos pães, que está lá no capítulo 15 de São
Mateus, onde Jesus chama os discípulos e diz: “Tenho compaixão desta multidão,
já faz três dias que eles estão comigo e nada têm para comer. Não quero
mandá-los embora com fome, porque podem desfalecer no caminho”.
Tão diferente do show business
evangélico de hoje, onde a fome do povo é o segundo negócio mais explorado no
templo, o primeiro é a arrecadação de dízimos, ofertas e vendas de souvenires.
E sei que quem estiver lendo isto e for destes tantos que só exploram a fé,
irão dizer junto com os discípulos que: “onde vamos encontrar alimento
suficiente para alimentar tanta gente?”...
Aí Ele faz a pergunta alvo deste
texto: “Quantos pães vocês têm?”
A solução apresentada para a fome,
por Jesus, foi uma pergunta aos que almejavam serem pastores e apóstolos:
Quantos pães vocês têm?
Ou seja, o que vocês têm para dar e
não o que vocês podem tirar. O que vocês oferecem? O que vocês vão fazer para
resolver a fome é ver o que vocês têm, é dar o que vocês têm. É olhar e
perguntar o que eu tenho para dar? Não! É o que vocês têm, é do que se têm e
não do que não se quer mais que se deve tirar a solução. E mais do que isto é
do que têm os pseudos apóstolos que vai trazer a solução para a fome...
Não custeando shows financiados por
criminosos e vendendo lanches, camisetas e outras coisas ou ainda tirando
ofertas mil, mas sim abrindo mão do têm, do que possuem. Nem com campanha do
quilo, ou ainda uma sopa de vez em quando para os pobres...
Sei que alguns devem estar
desconfortáveis, mas é este o ponto: Como ficar confortável diante de tanto
absurdo, de tanta hipocrisia? Dia após dia o que vemos é a exploração da fé e
da fragilidade das pessoas. Tão diferente da frase inicial de Jesus: Tenho
compaixão...
Tenham compaixão e rasguem suas gravatas e desgrenhem seus cabelos engomados e se arrependam de suas falácias, de suas arrogâncias e maldades. Querem ser ‘homens e mulheres de Deus’? Sejam, mas sempre lembrando da orientação dada a quem deseja este caminho: Contentem-se com pouco, se tiverem duas roupas deem uma, se desfaçam da soberba e sejam simples e humildes... Como Ele foi.
quinta-feira, 21 de outubro de 2021
Bom demais?
Na construção aristotélica da virtude ele define que o
meio termo, a mediania é onde habita a sabedoria, fugindo do excesso e da
falta. Que um homem será um homem bom, ou homem de bem se tiver prudência e equilíbrio.
Por outro lado temos aprendido que o mercado de trabalho
é muito competitivo e que quanto mais você se especializar e se capacitar, mais
apto você estará para desempenhar uma determinada função ou atividade.
Mas o que tenho visto e sentido na pele é que a medida
que me capacito, mais difícil fica de conseguir um lugar de trabalho. Já ouvi
diversas vezes que o meu currículo é bom demais...
Como assim? Então teremos de ‘esconder’ capacidades e
aptidões para que os interlocutores não se sintam ameaçados, para que não tirem
conclusões a cerca de nossas expectativas?
Ou será que o nível é tão medíocre que há uma preferência
pela mediocridade ao invés de se buscar a excelência?
Tenho lutado durante um período grande demais para me
capacitar, me equipar e me reinserir no mercado de trabalho, me recolocar de
maneira minimamente tranquila e o que escuto é que meu CV é bom demais, já ouvi
de um supervisor certa vez que ele não levaria meu currículo para que sua vaga
não fosse ameaçada. Não sou uma ameaça, sou um homem simples de 54 anos,
fazendo sua segunda graduação e com algumas capacitações que tenta dia após dia
ter o seu lugar ao sol.
Já ajudei muita gente, fui canal de emprego para muitos,
e nunca me senti ameaçado. As pessoas hoje em dia, até num lugar onde todos tem
a mesma função e o mesmo salário tentam derrubar umas as outras sem compreender
como funciona uma organização, empresa ou projeto. Sem entender que cada um de
nossos saberes, sejam teóricos os empíricos, experienciais ou não, tem o seu
valor e sua importância.
Será que há um ser bom demais? Claro que não, nem eu, nem
ninguém, todos temos limitações e dificuldades. E ninguém que precise
desmerecer alguém para se sentir minimamente importante deve ser acolhido.
Nosso valor é mostrado na eficácia de nossas atitudes e ações.
Espero de fato que as pessoas encarregadas das captações de talentos compreendam que é muito mais inteligente contratar uma pessoa bem qualificada e que esta disposta a trabalhar do que qualquer pessoa que seja que não dá valor para a oportunidade que recebe.
sexta-feira, 8 de outubro de 2021
terça-feira, 10 de agosto de 2021
Sobre o velho e o mar e sobre vagas de emprego...
O mercado de trabalho hoje em dia
está impiedoso e cruel. Tanto é o desalento que nos causa que nos lembra o
livro de Ernest Hemingway. O Velho e o Mar. Onde o velho pescador se debate na
pesca de sua vida, o maior peixe, o mais perseguido por ele e após o capturar o
reboca em seu pequeno barco de pesca e ali vivencia a sua grande aventura...
Somos destruídos aos poucos, sem no
entanto sermos derrotados, ou será que o somos?
São anos de estudo e dedicação,
voluntariado e disposição. Construindo um currículo e uma existência, se
renovando a cada nova esperança, a cada nova possibilidade. Para ali adiante
receber um outro não, um depois ou um talvez. Aos poucos desacreditamos, assim
como o protagonista de Hemingway, vimos nosso peixe ir sendo devorado por
peixinhos miúdos e pássaros oportunistas durante a nossa trajetória. A construção
de um pensar livre, de uma consciência social pertinente e uma quebra de
paradigmas constante e inequívoca se fazem necessárias. Mas a solidificação de
uma esperança consistente acaba se desfazendo a cada negativa recebida.
Como ouvi hoje em uma entrevista do
Professor Clóvis de Barros Filho, que se Sócrates fosse entrevistado por um
chefe de recursos humanos da atualidade, ele seria preterido e em seu lugar
seria colocado um imbecil. Não há como ficarmos contentes ao vermos a
incapacidade de se verificar talentos e quanto de gente boa que não acha seu
lugar ao sol, pois são obedecidos parâmetros e não são se vê pessoas. E ainda
na mesma entrevista ele conta de uma vez que cortaram o seu microfone em um
congresso de ética, onde ele foi ainda desconhecido. Anos mais tarde ele volta ao
mesmo congresso como palestrante e ali não cortam seu microfone, pois no
segundo momento o seu discurso era legitimado pelos seus títulos, ainda que
fosse o mesmo discurso.
Faz dez anos que estou me reconstruindo
e sete anos consecutivos que entro janeiro desempregado, já ouvi tantas vezes
que meu currículo é bom demais que tenho até medo de atualizar ele. Nessa minha
reconstrução estou na segunda graduação e na segunda especialização, fora toda
a experiência obtida em diversas áreas. Trabalhos voluntários e sociais sem fim
e me vejo como o velho, assistindo meu pescado ser devorado por quem nunca
madrugou na lida, nem jamais sangrou as mãos na luta com a força do peixe e do
mar...
E o que resta?
Seguir em frente, continuar estudando, lutando e pescando, envelhecendo e sendo destruído, sem no entanto se deixar derrotar ou sucumbir pela injustiça de um mundo ingrato.
quinta-feira, 15 de julho de 2021
Sobre importância, juízos e esperança...
Importar-se, se importar...
Ter relevância, trazer para dentro,
para junto, fazer parte e dar valor. São modos de fazer de algo ou de alguém se
tornar único, fundamental... importante.
A importância de alguém não é mensurada
por títulos, ou cargos, não se mede pelo quanto se ganha ou o tanto que se
estudou.
Algumas vezes fazemos pedestais para
pessoas que nem mesmo lembram de nós. Podemos saber nossa importância pela
prontidão que nos respondem, pelas atitudes que são dispensadas para nós e vice
versa. Elegemos muitas vezes pessoas como importantes mas que não são.
Vivemos dias de julgamentos constantes
e ininterruptos, de todos os lados e de todo tipo de pessoas. Somos julgados
pelo que fizemos um dia, somos julgados também pelo que deixamos de fazer. Na
maioria das vezes podemos fazer mil coisas boas e uma errada bastará para que
sejamos desqualificados.
Faz anos que venho construindo minha
trajetória, não foi fácil, não é fácil, mas por vezes parece que há sempre uma
avaliação, como se uma espada pendesse sobre a cabeça, pronta para sentenciar o
fim de uma existência.
Mas seguimos em frente, dia após dia,
trazendo a mente o que nos pode dar esperança (Lamentações de Jeremias),
refazendo e reconstruindo tudo de novo, quantas vezes for preciso.
Poucos lembram de nossos bons atos, mas
eles estão lá, falando em nosso favor ao universo. Nestes dias difíceis, onde
até nossa empatia é vista com maldade, onde pessoas que não se importam, julgam
nosso importar-se com os outros. Precisamos fazer mais e melhor, pelos que
sofrem e por aqueles que importam. Para aqueles que nos dão as costas ou que
preferem abreviar nossa partida, deixamos nosso lamento, mas sem deixar que
continuem a nos ferir tanto.
Se me importo, que te importa?
Postagem em destaque
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Este depoimento que gravei faz dois anos, mais ou menos, gostaria de partilhar com vocês:





