sábado, 11 de janeiro de 2020

Sobre a Porta dos Fundos, Jesus, Gays e “machões” que jogam bombas e fogem...




            Fiquei quieto até agora sobre este assunto, até que ontem vi o “machão” que jogou a bomba e quase matou um vigia na Sede do ‘Porta dos Fundos’ dizer que estava celebrando a retirada do vídeo do ar (algo que já foi revogado) dizendo que ele é ‘macho’ e defende a ‘igreja de cristo’ (minúsculas propositais)...
            Em primeiro lugar quero dizer que Jesus nunca precisou de ‘defesa’ e muito menos a Sua Igreja, ao contrário Ele disse quando julgado que “não terias autoridade se eu não a tivesse dado”. A fonte de 95 % das guerras já travadas no planeta tinham este eixo fundamental em suas essências, portanto não há nenhum tipo de relação ou veracidade para esta justificativa...
            Em segundo lugar o vídeo em si não questiona Jesus (acredito que Ele dê umas boas risadas) e sim a grande massa de héteros inseguros de sua virilidade e opressores de fracos e agressores daquilo que tanto desejam em seu íntimo...
            E é sobre este conceito de ‘macho’ que quero falar:
            Ser ‘macho’ é algo que qualquer criador de animais diz ao verificar o sexo de um filhote (este é ‘machinho’ dizem), é ter uma genitália masculina, um falo, um pênis, algo que até os que eles tanto odeiam também possuem. É um simples apêndice anatômico e que não define nada além do sexo (não a opção).
            Talvez o conceito em que ele se baseia ‘macho’ seja um covarde que ataca um prédio sem medir os riscos e possibilidades de haver ali alguém que possa ser ferido e depois fugir. Talvez para ele seja atacar tudo que não compreende ou deseje muito ser ou ainda ele tenha uma convicção tão fraca tanto de sua fé quanto de sua condição que ataque raivosamente o que lhe parece contrário, agredindo em nome de uma fé que ensina a dar a outra face...
            Ser homem, diferentemente de ser ‘macho’, é ser resolvido, assumir seus atos sem fugir feito moleque, ser fiel, verdadeiro e gentil. Ser cristão é tudo isto na décima potência, pois ter que ser muito homem (independentemente de gênero ou de opção sexual) para dizer não à violência, traição e hipocrisia. Para saber perdoar mais do que ser perdoado, para amar (em toda a extensão que isto possa significar) mais do que ser amado e para dar a outra face ao invés de agredir. Para estes deixo as palavras do próprio Cristo no evangelho de São João:
“Aquele que viver pela espada, pela espada morrerá.”
            Esta mais do que na hora de nós revermos conceitos, a Igreja de Cristo (Eclésia -chamados para fora do sistema opressor + Cristo - aquele que se entrega por amor) esta muito distante de sua essência e faria muito bem ao planeta se fosse se reencontrar ao invés de semear discórdia e ódio numa ‘cruzada moralista feita por hipócritas sem moral contra tudo que não concordam’...
            Ao ‘machão imbecil’ quero apenas dizer que ele destranque o armário e saia e tente descobrir o que é a mensagem do evangelho.
            Que todos possamos encerrar este estigma de intolerância que se instaurou sobre nossa nação e que possamos evoluir como pessoas civilizadas que deveríamos ser...


domingo, 1 de setembro de 2019

Uma resposta para João...


         Durante muito tempo na minha vida estudei as escrituras sagradas, já busquei nelas respostas, alívio, orientação, iluminação, sabedoria e até pretextos para ações e sempre encontrei o que buscava, talvez não da forma que esperava.
         Durante um tempo ainda maior da minha vida eu busquei um lugar para estar e ser enquanto cristão, ainda que não ache que este termo represente o que acredito. Afinal cristão é “um pequeno cristo”, alguém que como Ele busca viver, algo quase inexistente hoje em dia.
         Nestas minhas buscas encontrei um texto interessante, que está no evangelho de Mateus, capítulo 11, versos 2 e 3 que diz:
“E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos seus discípulos,
A dizer-lhe: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro”?
         João Batista, considerado o ‘aio’, último profeta da antiga aliança, precursor de Jesus, nazireu, considerado pelo próprio Cristo o maior dentre todos homens nascidos de mulher...
         João tinha uma pergunta por achar que Jesus faria a ‘libertação’ social e política do povo de Israel, acreditava que Ele era o Messias anunciado que seria o Rei dos Reis, o Senhor dos Senhores. João queria ver Jesus assumir o trono de Israel e vencer a opressão romana. João almejava o que muitos de nós almejamos hoje, que almejamos sempre: Justiça e Equidade!
         Como todos nós, como eu e você que lê estas linhas, sempre queremos saber se este é o líder que devemos seguir, se este é o lugar para o qual devemos ir ou se devemos esperar outro, se decepcionar mais uma vez, desacreditar uma vez mais...
         Mas Jesus tinha uma resposta para João, algo para acalmar seu coração, aliviar sua angústia, afinal João havia vivido uma vida inteira dedicada a algo que até então nem mesmo uma sombra distante havia visto se cumprir. João como a maioria dos profetas desde Isaías e Jeremias e até mesmo desde Elias não viram nada do que profetizaram se realizar, se cumprir, se concretizar. Como muitos de nós que tanto esperamos sem, no entanto, ter alcançado ainda...
         Jesus manda dizer que vão e digam a João tudo que vocês viram e ouviram (v.4), não lhes manda com ‘conversas ou promessas’, lhes diz para irem e dizerem das coisas que estavam diante deles, que podiam comprovar, serem testemunhas. E aqui cabe uma observação, não fale do que ‘ouviu dizer’ ou do que ‘espera que um dia aconteça’ mas sim de fatos, de coisas das quais você pode testemunhar.
         E o que eram estas coisas que Jesus manda que falem:
Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho.
E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em mim
. (v.5 e 6)
         A verdade é que o que Ele responde é que as pessoas passaram a enxergar quando já não tinham esta capacidade, sua visão abriu, alguns que não viam nada diante de si, passaram a ver, enxergar, captar, perceber. Por isto podemos presumir que o primeiro ‘sinal’ de que este (que você segue, ou o lugar onde O busca) é o que temos esperado e buscado é se as pessoas veem. Se as pessoas passaram a enxergar ou limitaram sua visão.
         Também é que os que não conseguiam caminhar, andar, se mover, progredir estão fazendo isto, se as pessoas que estavam paralisadas saíram de suas letargias e andaram, ou se ainda estão do mesmo jeito, no mesmo lugar, na mesma condição é um outro ‘sintoma’ de que Ele está por perto...
         Se as pessoas estão sendo purificadas, se livrando de sua sujeira e imundície de mente, sentimento e caráter assim como fisicamente, ou se a impureza das maldades, corrupções, fofocas e degradações estão sendo retiradas de seus corações e ações é um outro bom ‘sinal’ de acerto...
         Os surdos estão ouvindo é para além da capacidade auditiva, é estar aberto, receptivo e atento às palavras e sons, é estar pronto para receber, ouvir e crer, uma vez que a fé vem pelo ouvir...
         Ou o que temos são pessoas incapazes de ouvir, que tapam os ouvidos ao clamor, ao choro e ao apelo dos que sofrem? Impossibilitados de escutar o outro, de dar suporte e amparo, intransigentes e extremistas que não escutam ninguém?
         Uma outra coisa devia haver para que João e para que também nós pudéssemos saber se o caminho a ser seguido era aquele, ou este, que os mortos ressuscitassem, ou seja pessoas, que como eu já estive um dia, dadas como mortas, vencidas, subjugadas e destruídas, sem futuro ou esperança, voltassem a vida, a viver, produzir, andar, ver, escutar e se tornarem limpos. Voltarem a ter o nome e o coração limpos, então estariam voltando a vida, ressuscitando...
         E por fim, mas não menos importante o outro sinal era que aos pobres estaria sendo pregado as boas novas, se os pobres tem recebido boas notícias ou, como se vê, estão sendo surrupiados, enganados e roubados?
         Por fim, Jesus encerra dizendo que feliz é aquele que não se choca Nele (bem aventurado aquele que não se escandaliza em mim), ou seja, que não se melindra, se transtorna, não encontra Nele confusão ou vergonha...
         Acredito que há por aí, milhares de João(s) ou o nome que tiverem, que assim como eu fazem esta pergunta, que realmente querem entender e saber de fato se estão no caminho certo, se devem ir em frente, seguir... Que cada um destes, de nós, possam entender isto, saber avaliar e talvez perceber que hoje, não há lugar algum que se encaixe nesta definição, nesta resposta, pois muitos e muitos têm, após terem ido para igrejas ou ministérios, ficado mais e mais distantes disto...
Não andam se o líder não mandar, paralisados. Não são puros, ao contrário, ficaram mais maliciosos, fofoqueiros e invejosos, cheios de maldade e mentiras, apodrecidos. Não escutam ninguém, não dão ouvidos a não ser para o seu ‘ídolo gospel’, ensurdecidos. Não vivem, estão numa agenda sem fim, não se divertem, não produzem, amortecidos. E não são felizes, reféns de manter os ‘arautos da fé’ em sua boa vida e luxo, empobrecidos.
Embora o texto seja longo, se você chegou até aqui quero dizer uma última coisa: Construa em você este lugar, seja você esta resposta e como disse o poeta, ‘plante seu jardim ao invés de esperar que lhe tragam flores’...



quarta-feira, 1 de maio de 2019

A filosofia não vai acabar...


         A filosofia não vai acabar, mesmo que as verbas sejam cortadas. As faculdades não serão destruídas ou extintas, mesmo que o poder se oponha a elas. O pensamento não se estanca, a liberdade não se deixa aprisionar, mesmo que a mediocridade domine e se faça valer de decretos, mandos e desmandos...
         Ainda que todos os ditadores da história tenham atacado a educação, a filosofia e a sociologia, em todas as ditaduras que já existiram, desde a morte de Sócrates ao não abdicar de suas ideias, ou da morte de Jesus (que alguns insistem em que ele tenha sido filósofo) ao ser acusado injustamente pelos defensores da religião e da casta religiosa. Ainda assim o pensamento emerge, vaza e extravaza sobre aqueles que o tentam conter...
         Ainda que se tenha sérias dúvidas da racionalidade dos povos e da lucidez dos poderosos que pensam poder fazer sucumbir o livre pensar, ainda assim a sabedoria cativará e o aprendizado será transmitido. A filosofia existe e continuará existindo mesmo que a maioria ainda não entenda muito bem o que ela significa. Ainda que os políticos ataquem justamente suas bases, afinal Aristóteles que deu lá nos primórdios as bases da democracia, da política e da cidadania. O eixo da ‘polis’, de onde descende a ‘politéia’, de onde eles se esbaldam sem conhecer e se regalam, originou-se nas bases que eles atacam, e o que se pode esperar de qualquer construção que ataca seus alicerces?
         Como disse Mário Quintana: “eles passarão, eu passarinho”...
         Os que amam a sabedoria não serão subjugados por armamentistas que tiram a verba do saber e colocam na proliferação da violência, das tolices em rede nacional e a dilapidação de tudo que abriga algum tipo de valor, seja educacional, ecológico e verdadeiro. Se Descartes está minimamente certo no ‘cogito’, estes logo não existem. Se Heidegger que ‘atualizou’ o ‘cogito’ nos denota sua máxima, logo sabemos que estes se algo são, o são apenas num pequeno espaço finito de tempo, enquanto a filosofia segue seu curso e a construção do saber histórico, factual e principalmente filosófico para além dos limites do hoje, pois seremos crescentes no saber, mesmo que nos cortem as verbas. Afinal a filosofia, que nasceu ao ar livre e se desenvolveu com olhares nas estrelas, na natureza e no próprio coração do homem, seguirá sua jornada, nas mesas de bar, nos bancos de praças e com o olhar nas estrelas sempre descobrindo muito mais do que se esperava e mais do que os poderosos queriam que fosse descoberto.
         O céu foi desvendado, inicialmente pelos filósofos, assim como foram estabelecidos as bases para a matemática, a ciência, a estética, a biologia e a psicologia. E assim seguiremos desvendando a metafísica e a quântica, como sempre foi feito, para além dos pensares medíocres e limitadores de um governo de incautos que nem mesmo imaginam o que poderia ser administrar, pois nem cidadãos são e há dúvidas de que raciocinam...

sábado, 13 de abril de 2019

Imagem filtrada...


         “O processo de filtragem é feito utilizando matrizes denominadas máscaras, as quais são aplicadas sobre a imagem”.
         Há hoje em dia uma prática comum, o uso de filtros de imagens, qualquer pessoa que tem um celular, utiliza-se destes aplicativos para ‘melhorar’ suas fotos. É um tipo de maquiagem para a foto...
         Não sei se por ser do tempo das fotos que precisavam ser ‘reveladas’ em laboratórios fotográficos, onde não sabíamos como ‘íamos sair na foto’, ou se por estar já há anos estudando e cultivando palavras estranhas aos convívios sociais de hoje, tais como transparência, sinceridade e verdade. Que talvez eu estranhe as pessoas não se assumirem exatamente como são...
         Aí não tive como não ponderar sobre isto, sobre quais os filtros, quais as máscaras que temos aplicado sobre a imagem que apresentamos aos outros?
         Percebi que desde os tempos do ‘pó de arroz’ que as pessoas ‘maquiam’ a verdade, não gostam de si, não se aceitam. As ‘plásticas’ permitiram mudanças ainda mais drásticas e fazem com que a Anita pareça com o Michael Jackson, mesmo que este não fosse o objetivo. Não sou contra plásticas, maquiagens e nem filtros de imagem (digo antes que algum criador de polêmica me acuse), mas sou um homem em busca do autêntico e achei a metáfora justificada.
         Por isto espero que cada leitor e amigo possa refletir sobre si mesmo. Este não é um texto para ser lido pensando que isto se aplica ao fulano (como muitos ouvem o sermão na igreja), mas para ser introjetado e feito de perspectiva pessoal contra si mesmo, pois ninguém que não se avalia pode avaliar alguém. Somos feitos de idiossincrasias e dualidades conflitantes, levados ao cinismo em uma sociedade cínica e que ensina a ser falso todos os dias.
         Cabe a cada um de nós a reflexão e o assumir dos erros. Somos quem somos e fazemos o que fazemos sem nunca assumir nossas misérias e até quando o fazemos, logo nos justificamos e pomos a culpa em alguém ou em alguma coisa. Nossa vida está como está pelas nossas escolhas. O Brasil está como está pelas nossas escolhas, não foram alienígenas que assumiram o controle, foram pessoas que receberam a maioria dos votos válidos. Não foi este ou aquele que roubou,foram praticamente todos. Não foi o governo anterior que fez caos na educação, foram estes três meses de desgoverno...
         Foram erros, escolhas e votos que fizeram o quadro que vemos hoje. Assim como da mesma forma, na nossa vida pessoal fomos a gente mesmo que fez o que está aí. Foi a nossa tendência a ‘melhorar’ a nossa imagem, ‘maquiando’ a verdade sobre nós e sobre nossas péssimas escolhas...


quarta-feira, 10 de abril de 2019

Lojas de amigos?


         Li o meu primeiro livro aos sete anos de idade: O Pequeno Príncipe (de Exupéry). Nunca mais parei de ler e nem de fazer amigos. Conta-se do menino Zezinho no portão da casa em São Leopoldo, RS que ele perguntava a quem quer que passasse: - Oi, quer ser meu amigo?
         Sempre os levei muito a sério e tenho amigos daquela mais tenra infância até hoje, que fazem parte da minha vida, da minha história e do meu facebook. Tenho amigos de mais de 40 anos de amizade e que são leais e sinceros até hoje. Não mudaram quando tive as mais variadas fases e formas de expressar minha fé, minhas ideologias e meus pontos de vista. Desde o tempo de ouvir Bohemian Rhapsody do Queen, num ‘toca fitas K7, auto reverse’ num opala SS, neste mesmo bairro onde o Zezinho buscava amigos e jogava tacos.
         Tenho amigos que me viram pregar o evangelho, definhar na dependência e me reerguer e sempre mantiveram a mesma afinidade, afeição e respeito. Tenho amigos que já viram minha face pior e nem por isto deixaram de serem amigos...
         Mas houveram pessoas que chamei de amigos, afirmei que eram amigos e fui amigo sobre as mais diversas circunstâncias, mas não eram, nunca foram.
         Hoje em dia como diz no livro, ‘os homens não têm mais amigos pois compram tudo pronto nas lojas e como não existem lojas de amigos...’ Nas últimas semanas vi isto de perto e mais intensamente e percebi que num mundo narcisista e ególatra é cada dia mais difícil altruísmo e sinceridade, as pessoas aproximam-se de acordo com seus interesses, querem concordância quanto as suas atitudes e julgam nossas escolhas.
         Nos últimos meses e até mais que isto, revi minha vida, revejo-a sempre e desta forma pude perceber que muitas pessoas que eu acreditava gostarem de mim, se tornaram indiferentes, outros que nunca pensei poderiam de alguma forma me dar apoio e apostar em mim, fizeram justamente isto.
         Vi também que há sempre mais gente para julgar e que o sucesso incomoda e como diz Leandro Karnal, se você quer ver se uma pessoa gosta de você, veja se ela vibra com seu êxito, enquanto que os ‘falsos amigos’ só acham bom quando você está na ‘lona’ e o juiz anuncia o ‘knockout’, pois é mais confortável ter pena do fracassado do que lidar com o êxito e o crescimento daqueles que achávamos serem ‘menores’...
         Sempre me alegrei com o sucesso de todos, sempre apoiei as diversas iniciativas, mas infelizmente na maior parte das vezes enfrentei o despeito, o negativismo e o cinismo. Mas nada disto me faz mudar, sou verdadeiro, sou autêntico e sei reconhecer meus erros, voltar atrás e começar de novo quantas vezes for necessário...
         Tenho amigos, por saber que somos sim eternamente responsáveis por aqueles que cativamos e que a minha credibilidade é a coisa mais importante que já conquistei e que me custou e me custa muito caro.
         Não preciso dos aplausos, não os busco. Não quero os holofotes (afinal eles, nos olhos, cegam mais que iluminam), prefiro ser farol que neon, ponte do que palco, transparência do que vitrine e principalmente amigos do que fachadas.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

O mesmo rio?


         Mudar...
         A nossa resistência em relação às mudanças é proporcional ao nosso desejo de que elas aconteçam. Porém a maioria de nós reclama diariamente de diversas coisas que não nos movemos para mudá-las. Mudar não é fácil, acomodar-se é!
         Por isso apesar de acharmos a situação ruim, ficamos nela. Muitos reclamam do trabalho, do salário, da função, outros da relação, do(a) parceiro(a), do casamento e da família. Da casa, do carro, do curso, da formação...
         Mas a verdade é que resistimos à mudança, somos paradoxais e mesmo reclamando de tudo, nos revoltamos com quem nos ‘desaloja’, com quem nos ‘desacomoda’. Aplaudimos quando um chefe põe o colega a trabalhar, organiza o setor, do outro, e faz a coisa andar. Desde que não venha para o nosso lado, desde que não mexa com a gente.
         Sou um homem de mudanças, não gosto da mesmice e jurei para mim e pedi a Deus que por onde eu passasse as pessoas soubessem que ali estive, que por ali passei. Não procrastino, pois já procrastinei demais. Não me acomodo pois já me acomodei demais, esperei demais e sofri demais. Descobri que as coisas que se acumulam um dia me sufocarão e que os fios soltos deixados por fazer, um dia me enrolarão e me impediram de ir adiante.
         Só não realizo o que não está em minhas mãos, só espero o que não depende de mim. Na verdade não compreendo os que são morosos, os que acumulam problemas, procuro ser um solucionador de problemas.
         Compreendi que nunca paramos de mudar, que a questão filosófica do ‘ser’, uma das mais antigas, nos ensina que nada é exatamente igual, imutável e que mudar é parte essencial da nossa existência. Modificamos o tempo todo, deixamos células em toda parte por estarmos em constante renovação, em constante evolução temporal e existencial e que o agora já é passado assim que um milésimo de segundo passou. Que a pessoa que olhamos no espelho é um outro muito diferente hoje do que já foi um dia, que o que pensávamos ser certeza hoje nem entendemos como pudemos ter acreditado naquilo.
         Então estejamos abertos e prontos para mudar, mesmo que seja desconfortável inicialmente, pois se realmente queremos uma vida melhor, diferente, não será fazendo as mesmas coisas da mesma maneira. A melhor definição de insanidade é “fazer as coisas do mesmo jeito e esperar resultados diferentes”. Mudemos!!!

quinta-feira, 21 de março de 2019

Construindo pensamentos, destruindo preconceitos...


            A construção do pensamento filosófico é uma jornada sem fim e passa por diversas mentes que não se adequaram ao modo raso de pensar. Foram instigados a ir além, a questionar, a se abstrair e se abrir ao novo, as novas ideias e até as possibilidades de novas ideias antes mesmo de elas surgirem...
            Embora não sejamos ‘os pensadores’ construímos nosso pensamento para além de nossas idiossincrasias, talvez tenhamos alterado a ordem cronológica do pensar e construído o nosso modo autônomo na contramão, nos deparamos primeiro com o “cogito” de Descartes e pensamos existir para depois nos questionarmos se de fato existimos ou ainda se existe um mundo ‘real’ ou exterior, em alguns momentos afirmamos de modo socrático que nada sabemos e que isto talvez nos ponha em alguma vantagem sobre os que pensam saber. Mas nos deparamos que saber que nada sabemos seria um argumento sem valor de verdade, pois saber que nada sabemos já é saber alguma coisa.
            Então vamos neste imenso diálogo para além dos tempos e eras, debatendo algumas vezes com os do passado e em outras soltando a pergunta para que lá no futuro outros que hão de vir responderem, mas sempre debatendo, não como quem combate, que necessita vencer, mas como quem busca aprender, que questiona muitas vezes sem a pretensão de alcançar as respostas, pois compreende que a certeza não é a mesma coisa que a verdade ou o conhecimento, pois se pode ter certeza de coisas que na verdade nem são de fato.
            Desta forma brindamos aos céticos, por terem a coragem de duvidar e compreender que se pode suspender os juízos, se abster das certezas do senso comum, simplesmente para ter este andar ‘suspenso’, acima dos vaticínios e assim realmente ser livre. Pois a liberdade de pensamento é estar livre dos dogmas, sabendo, ou acreditando saber que se pode crer e ser cético conjuntamente e ainda assim ser mais coerente que a grande maioria...
            Ir além do mesmo rio, sair da caverna e seguir em frente, ainda que hajam dúvidas de nosso existir, fazer deste agora a grande ‘sacada’ de nossa vida...