terça-feira, 10 de outubro de 2017

Desesperanças...



Das coisas que esperamos, das esperas que nos desesperam, das desesperanças. De todas elas onde há tristeza, não pelo esperar em si, mas porque esperar não nos alegra. O que nos alegra é o alcançar o que se aguarda chegar.
Do esperançoso, aquele mais otimista, que aguarda sempre o melhor em todas as situações. Mas as noites e dias de espera, as semanas e meses que se agregam nesta espera, são de grande tristeza.
Aquela semana que nossa espera se expande e nossa esperança diminui, é uma verdadeira prova para nossa força de vontade, para o nosso otimismo. Achar forças para renovar as esperanças a cada investida das negativas em atingir o que se espera.
Já me perguntaram onde encontro novas esperanças, mas o que as pessoas não entendem é que em alguns momentos a única coisa que se tem é a esperança e o se tornar esperançoso.
Mas tem dias que nossa força parece se esvair, que nossa capacidade de se refazer, após tantas portas que se fecham, parece no fim. Reconstruir é um trabalho delicado e demorado.
Já tenho me refeito tanto que por vezes nem mesmo compreendo como ainda prossigo. Nossa fé fica fraca, junto com a ‘bendita esperança’ que vai se esvaindo e parece esgotar.
Nestas horas, é como se tudo parece estar contra você e é preciso achar alguma forma de continuar a acreditar.
Que a esperança se refaça e a fé se fortaleça a cada dia...

domingo, 8 de outubro de 2017

Sobre Arte e o que é certo e o que é errado...



        Eu sempre gostei de arte, escrevo, desenho, pinto e me arrisco a cantar de vez em quando. Fiz teatro por muito tempo e me arrisco na poesia.

        Procurei ler de tudo e ‘arejar’ meu pensamento para não ser bitolado nem tendencioso. Leonardo da Vinci, Monet, Rembrandt, Goya, Michelangelo, Renoir e Modigliani estão entre os muitos que admiro. A arte é parte do debate e da avaliação desde os filósofos da antiguidade e Estética é estudada no curso de filosofia.

        Ela é: “habilidade ou disposição dirigida para a execução de uma finalidade prática ou teórica, realizada de forma consciente, controlada e racional”.
E “o conjunto de meios e procedimentos através dos quais é possível a obtenção de finalidades práticas ou a produção de objetos; técnica”.

A arte é visão, é abordagem e para tanto validada de diversas formas.

Porém o que se percebe hoje em dia é uma banalização, uma mediocridade latente nos mais variados seguimentos e embora possam me julgar pelo que vou dizer, eu vejo que hoje todo mundo se acha artista, cantor e orador. E pior, a vaidade está consumindo egos inflamados em diversas outras áreas, como a religião e a política também.

Eu estou cursando filosofia e filosofo as vezes, mas não sou um filósofo, e ainda quando me formar, serei um professor de filosofia.

Defendo o direito de todos se expressarem, mas definir um medíocre como artista é zombar da arte e esbanjar mau gosto. Alguém achar que é apenas por ele próprio dizer que é beira a tolice.
Mas as pessoas se denominam mestres, pastores, artistas, arautos e escolhidos. Você ter um tolo que concorda contigo não te faz um formador de opinião.
Na história da arte e da religião, assim como na história da filosofia, era o reconhecimento dos outros que denotava a qualificação.
Porém hoje pessoas fundam escolas sem ter qualificação e ‘vendem’ mentiras. Outros se acham escolhidos de Deus e fundam uma igreja e se acham novos messias e propagam mentiras também.
E assim na arte amontoar lixo num lugar chique ou expor o corpo para crianças se torna arte, simplesmente porque medíocres sem talento e de ter o que fazer, dizem que é.
De nenhuma das situações acima me parece ter valor para pessoas minimamente inteligentes, mas se assemelham pela mediocridade e rasura de pessoas vazias que não têm algo genuíno para apresentar.

Hoje também todos acham que sabem o que é certo e o que é errado, e ainda querem que todos rezem pelas suas cartilhas.

Talvez a alegoria da árvore do meio do Jardim do Éden faça sentido agora. Pois comemos do fruto do conhecimento do bem e do mal e estamos fazendo o mal e nos destruindo mutuamente. Talvez o que Deus não deixou bem claro é que na dita árvore, cada um teria a sua visão do que é certo e errado e mataríamos pelo “nosso certo” contra o “errado dos outros”.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Sobre cavernas e falar com anjos...



         As cavernas são todas semelhantes: frias, úmidas e bolorentas, escuras também. Qualquer iluminação é pouca no interior delas...
         Muitos fazem a alegoria de cavernas com nossos momentos difíceis. Com aquelas situações em que não temos uma perspectiva adequada, não conseguimos ver quase nada e nos sentimos sozinhos, abandonados por Deus e pelas pessoas...
         Por vezes estes períodos são longos demais, como uma caverna que embora profunda não tenha uma saída pelo outro lado, apenas mais escuridão e ilusões provocadas pelo fogo inconstante das tochas...
         Mas de acordo com relatos em diversas culturas é aqui que se transcende. São nestas cavernas, nestas noites escuras da alma que homens conversam com anjos e recebem respostas do Eterno.
         É na falibilidade de nossas forças e no escoar de nossas esperanças que evoluímos e descobrimos que somos um pouco mais do que havíamos sido até então. Descobrimos que mesmo em meio às perdas e decepções, que ainda podemos mais, suportamos mais do que jamais houvéramos pensado ser possível.
         Descobrimos ali que nossa essência permanece apesar de todas as fornalhas e tempestades pelas quais passamos. E de repente, lá no fundo da caverna, nas sombras difusas do pensamento, uma luz surge e se apresenta para nos trazer alívio e amparo. Após os desertos, após as cavernas, ou ainda dentro delas, um anjo vem e nos seca as lágrimas e nos encoraja a seguir em frente...
         E onde o homem que busca a Deus perde as forças é justamente o lugar onde os anjos falam com ele...

domingo, 24 de setembro de 2017

Politicagem ou Censura?



         Hoje pela primeira vez fui censurado, fiz uma publicação num grupo de Facebook, do qual faço parte em minha cidade, Butiá, (https://www.facebook.com/groups/118762192081460/?ref=group_header).
         Fiquei pasmo ao perceber que a seguinte frase abaixo desta foto causou polêmica: “Momento único, 3 ex prefeitos, Ademir Garcia Mendes, Fernando Lopes e Marcelo Espinosa, de um tempo em que Butiá andava para frente”... 

        Foi interpretado pelo mediador do grupo, Waguinho, coordenador da EDTC de Butiá como ‘politicagem’. Sendo que são três ex-prefeitos de três partidos diferentes e que fazem parte da história, num momento privilegiado em que os três, juntos participavam de um evento.
         Fiquei pasmo, pois o que dizem não haver existe, quando possível, quando criticados ou não. Com uma consciência tão agravada pela má administração que elogiar outros é criticar eles...
         Falei de um tempo em que Butiá andava para frente por ter sim, tido mais ruas asfaltadas com bom asfalto, festivais de caráter nacional e premiação da UNESCO, enfim muitas coisas que me faltaria tempo para mencionar a vinda de Osvaldo Montenegro, Belchior e Bailei na Curva aqui com elenco original...
         Uma amiga e colega professora de português, que viu a postagem, sugeriu umas aulas de interpretação de texto por parte do referido mediador. Uma outra, do grupo sugeriu que se o grupo tem dono deveríamos criar um novo grupo. Mas a verdade é que a incompetência e a ignorância tomam conta da educação e da cultura da cidade, num desgoverno narcisista e a prova tá aí...

sábado, 23 de setembro de 2017

De quem é a última palavra?



         Constantemente somos questionados ou buscamos ter razão, ter a última palavra, encerrar a discussão e finalizar o debate. Hoje em dia todos nós precisamos defender opiniões e posições e obviamente queremos estar com a razão. E não há nada de errado nisto.
         Porém em tempos de intolerância precisamos refletir e ponderar sobre vários aspectos. A cada dia surge uma nova discussão. São discutidas as preferências sexuais, os gostos estéticos, as ideologias de gênero e outras tantas coisas. Como disse certo filósofo, cada um têm razão na sua perspectiva. E este é problema: Não aceitamos as razões do outro se elas são diferentes das nossas. A isto chamamos de intolerância.
         O homo não aceita a escolha do hétero e vice versa.
         O dogmático não aceita o pensamento do liberal e vice versa.
         Mas o fato de eu não concordar com tal pensamento, este é um direito meu e de cada um de nós, não me dá o direito de impor a minha opção ao outro. E isto vale para todos os lados das questões.
         Arrogamos o direito de manifestar a ‘nossa’ opinião e as redes sociais fomentaram isto, o que é bom, desde que haja respeito ao diferente. Mas o ‘nossa’ opinião já representa o primeiro problema, normalmente quando alguém defende uma ideia diz que ‘nós pensamos assim’ ou ‘muita gente pensa como eu’. O que não é uma verdade absoluta, na maior parte do tempo estamos defendendo ideias e ideais individuais, mas associamos outros, mesmo que eles não concordem plenamente, por exemplo:
         Faço parte de um determinado seguimento religioso e sou mencionado quando isto convém como ‘sendo’ um deles, mas eu ‘estar indo’ em determinado lugar não quer dizer que concordo com tudo que há ali. ‘Sou’ evangélico e ‘estou’ em uma igreja, mas não concordo com centenas de coisas dali.
         Não são todos os evangélicos que são homofóbicos e não são todos homossexuais que querem impor a ideologia de gênero. Assim como não há determinante biológico para a homossexualidade, como também não há nenhuma doença em ser gay.
         Na verdade religiosos esquecem ou desconhecem que uma grande porcentagem de homossexuais é gerada em lares cristão opressivos, bem como muitas pessoas que se prostituem e que usam drogas. (Entenda que não estou comparando estas coisas como afins, mas sim como alvo da luta religiosa, mas que comprovadamente advém em grande parte deste meio)
         Então porque haveremos de ter a última palavra sobre estas questões? Como poderemos entrar em acordo se achamos estarem somente certos os que pensam como nós?
         Nossa hipocrisia, tanto hétero como homo, se deve ao fato de não termos a capacidade da aceitação do diferente e querermos impor a nossa posição aos outros.
         Achar que o mundo religioso é perfeito é tão utópico quanto pensar que só quem é gay que é ‘feliz’.
         O nosso maior problema é quando atacamos o que é precioso aos nossos olhos. Quando um religioso se escandaliza pelo uso de seus símbolos de devoção de maneira inadequada, ele esquece que quando ele julga ‘pecado’ a conduta do outro ele comete o mesmo tipo de ‘sacrilégio’ e ainda traz para si, dentro de sua doutrina, condenação. Pois a bíblia diz que da mesma maneira que julgamos seremos julgados.
         Porém quando um imbecil como o Jean Willis propõe um filme com Jesus e os discípulos sendo homossexuais, ele apenas demonstra sua falta de talento, pois nada conseguiria com uma história genuinamente sua. Precisa ser acudido e se associar com a popularidade de Jesus para que alguém venha olhar seu lixo como arte. Diferentemente de ‘A Última Tentação de Cristo’ que propõe um debate válido.
         Deixo claro também que não preciso, nem acho que seja preciso que alguém ‘defenda a imagem de Jesus’, pois este sim foi coerente e verdadeiro, e é e sempre será o personagem central da história da humanidade. E aprendendo com Ele, encerro com a lição dada no episódio do apedrejamento da mulher adúltera:
         Os acusadores tinham razão, a lei justificava a morte dela. Tentaram fazer Jesus ir contra a lei, mas ele sabiamente não entrou no jogo e disse:
         Aquele que não tem pecado, que jogue a primeira pedra...
         Será que preciso falar mais alguma coisa?