domingo, 24 de dezembro de 2017

"DESEMPODERAR"



         Nesta época todos nós ficamos mais reflexivos, é natural, tudo apela para o nossos sentimentos. São propagandas, mensagens, vídeos e todo o tipo de ‘desejos de coisas boas’. Mas nós, na maioria do tempo, não paramos para verificar as nossas mensagens e e-mails, não assistimos até o fim, alguns nem abrimos. Por quê? Por sabermos que foram enviadas para todos os contatos, por malas diretas e da mesma forma que muitas que enviamos, apenas por acharmos ‘bonitinhas’.
         Algumas que recebemos, sabemos vir até de pessoas que não simpatizam com a gente, que nem gostam da gente de verdade...
         Fiquei pensando nisto, nos grupos de “whats”, nas malas diretas (nome interessante), nas redes sociais...e na hipocrisia, na nossa falta de bom senso e no quanto não nos importamos e o quanto não compreendemos o sentido do natal. Não entendemos o que significa o próprio Deus, seu verbo-filho, seu filho-palavra, se despir de sua grandeza e majestade e se tornar “um de nós”, limitar-se, “desempoderar-se” para compreender, para sentir e vivenciar. Para ensinar e mostrar como se faz, como se deve viver e como se deve amar...
         Será que aprendemos? Será mesmo que um dia aprenderemos?
         Conheci a realidade das comunidades terapêuticas e das clínicas de recuperação, já vivenciei os leitos de hospital e também a solidão das pensões e hotéis que são exacerbadas com os foguetes, as luzes e especiais de natal...
         A realidade dos párias e dos excluídos, que hoje à noite estarão longe de seus pais, mães, filhos e filhas, amigos e amigas, e passarão a meia noite no esquecimento destes lugares, semelhantes aos asilos e as C.T.I.s e U.T.I.s, ou com seu parentes nestes locais. Os corredores e as salas de espera, os plantões dos mais diversos tipos de serviços essenciais e também nas cadeias e ruas...
         Não quero dramatizar, apenas lembrar, que foi para estes que Deus virou gente e como gente se fez servo e como servo ainda suportou a condenação como malfeitor...por todos estes e por cada um de nós e por cada um que hoje, mesmo em meio a muitas pessoas estarão solitários dentro de seus corações, em bares e festas, ainda buscando um lugar no mundo...
         Que hoje e sempre a gente pelo menos lembre disto e agradeça pela nossa sorte de sermos quem somos e termos quem e o que temos...
         Feliz Natal.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Sobre o que se é e sobre o que é necessário...



         O quê somos? Quem somos? O quê é “ser” de fato?
         Muitos, hoje em dia, se denominam isto ou aquilo. Dizem ser algo ou alguém? E aí, sem conseguir fugir da reflexão filosófica, passamos a tentar mensurar o que é “ser”...
         O “ser” é essência, substância e totalidade. Não se pode ser meio algo, ou se é ou não se é. Nenhuma atividade ou ideologia, crença ou representação de algo, se dará por alguém que não é aquilo.
         Um médico só o é se, e só se, ele estiver capacitado para isto. Haverá de ter o conhecimento, a prática e a experiência para poder se dizer que ele é aquilo. O ser é algo que não pode se contradizer.
         Uma pessoa que defende os animais, por exemplo, e come carne tem automaticamente uma cisão no eixo de seu ‘ser’. Sei que muitos argumentarão, mas esclareço que aqui estou só exemplificando e refletindo sobre o que se é, de forma alguma estou questionando médicos ou ativistas de qualquer causa.
         Mas o se dizer ser algo implica em ser isto na totalidade e essencialmente, senão são apenas falácias e jargões sem sentido. Uma pessoa se dizer ‘cristão’(pequeno cristo) é ter de trazer em si tantos atributos e virtudes que jamais alguém deveria dizer de si mesmo isto, mas sim que os outros o vissem de tal forma...
         De igual modo poderíamos falar dos políticos que não prezam pelo bem do povo, ou professores que não ensinam, alunos que não estudam e não aprendem, pais e mães que não zelam por seus filhos e por aí se vai...
         Então o ser numa questão conceitual e essencial é muito mais do que se denominar. Gosto de uma frase de S. Paulo ao falar sobre especificações que determinam um ‘presbítero’ onde ele começa com “é necessário porém”...
         Talvez o mais importante antes de ser, seja o que for que se deseje ser, é saber que é necessário porém. Descubra o que precisa, o que é necessário para que você busque estes atributos e então seja, seja em plenitude e desempenhe seu “ser” na totalidade.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Sobre as mentiras que acreditamos...



        Todos nós, de uma forma ou de outra, numa intensidade maior ou menor, acreditamos em algumas mentiras...
        Somos levados, desde a infância e por razões diversas a acreditar em mitos e crendices. Acreditamos em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa, superpoderes e fábulas. Não se preocupem, pois não vou fazer analogias dos mitos, apenas quero estabelecer uma base para esta reflexão. Talvez por causa destes “costumes”, que a gente depois venha a dar crédito para algumas coisas e distorcermos a realidade, mesmo que seja de forma inconsciente.
        Na escola, na família, em todos os grupos ‘acalentamos’ certas inverdades e sofismas. Acreditamos que nossos pais não erram e que nossos professores não se enganam, acreditamos em políticos e em ‘amigos’. Depois acontecem as decepções e passamos por uma fase bem cética. Isto acontece nos relacionamentos de todos os tipos. E cada um de nós já pôde sentir isto em algum momento.
        Então, e mesmo durante todo este processo, desde a infância, passamos a ‘acolher’ certas coisas em nossa mente e a viver de acordo com estas nossas ‘verdades’.
        Alguém disse que: “Algumas pessoas não aceitam a verdade, pois destruiria todas as suas convicções”.
        E é disto que quero falar, estas mentiras que consentimos.

Os religiosos gostam de acreditar que são bons e que seus pecados foram e são perdoados porque eles foram escolhidos e que os ‘pecadores’ vão todos para o inferno...
Os políticos partidários acreditam que seu projeto é o melhor e que eles vão resolver todos os problemas que todos os outros políticos criaram, pois são todos, os outros, corruptos e ladrões que merecem ir para a cadeia...
As mães e pais acreditam que criaram bem seus filhos mal educados e que eles são ótimos, mas que todos os pais e mães criam mal seus filhos e estes acabam por prejudicar os seus filhos...
Os que erram acreditam estar sempre fazendo o seu melhor e que se erraram foi por culpa de alguém que vive errando e prejudicando eles...
Quero te dizer uma coisa que aprendi:
O mundo não tem uma conspiração cósmica contra você e nem as pessoas ficam achando uma maneira de prejudicar você porque você é bom demais e eles vivem com inveja de você, as coisas que te acontecem são resultados diretos de tuas escolhas.
Teus erros e pecados são tão graves e sujos quanto os de qualquer outro e se há perdão para você há perdão também para todos os outros, o Pai não é seu, Ele é Nosso.
E nem você, nem eu somos o centro do universo, tampouco somos os filhos prediletos de Deus, ou seu partido o único que pode fazer alguma coisa, ou sua religião a única que pode salvar quem quer que seja.
Por isto, pratiquemos uma coisa chamada empatia em relação aos outros e sejamos mais severos com a gente mesmo, ao invés de fazer o contrário.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Sobre ética e cada um cuidar da sua vida...



         Nossa capacidade de suportar é testada a cada dia, em diversas situações. Somos levados a questionar sobre nossas escolhas e decisões.
         Vivemos numa sociedade em transformação, embora não da maneira que se espera, do pior para o melhor. Mas do pior para o medíocre. A atitude ética e a esperança moral foi substituída pela arrogância dos errados. Percebemos uma crescente inversão de valores, pois denunciar, falar a verdade, exigir transparência e coerência é ser chato, é ‘se meter’ na vida dos outros. A lei do cada um cuide da sua vida, máxima do egoísmo imoral é o jargão dos corruptos.
         Afinal a corrupção e o desvio ético começa nas ‘pequenas’ trapaças. São os trocos não devolvidos, as colas e os furar de filas, o estacionar no lugar errado e não obedecer às normas previstas. Mas também são as coisas que são feitas na obscuridade de todas as situações escusas. A liberdade de se fazer o que se quer é na verdade liberalidade e libertinagem, pois a liberdade da felicidade, do sumo bem, é antes de tudo a escolha pelo certo. E não o ‘meu’ certo, mas o certo real e verdadeiro que resulta no bem comum.
         E o bem comum é todo aquele que não beneficia alguns em detrimento de outros.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Sobre a turma de Filosofia UAB3



         Faz pouco tempo, nem um ano de convívio, gente diferente. Vindos de diferentes áreas e situações, condições e até conteúdo. Crenças diversas, gostos diversos, pensamentos diversos. Não somos uma ‘turma’ ainda, alguns de nós nem mesmo se cumprimentam. Outros nem mesmo gostam uns dos outros, mas teremos ainda pela frente, no mínimo mais seis semestres, cerca de três anos de convívio.
         Tudo bem, somos alunos EAD, não ‘precisamos’ estarmos juntos...
         Mas somos alunos de um curso de Filosofia, de uma Federal, a UFPel, conceituada entre as melhores, num curso que exige de nós, principalmente a capacidade de raciocinar, refletir e “compreender”...
         Somos diferentes sim, mas é justamente isto que nós temos em comum, e devemos nos perguntar se estamos agindo de forma adequada nestas relações, se o pensamento de Hume não fosse diferente, será que Kant teria sido desafiado a ser tão produtivo?
         Será que Nietzsche seria algo se a fé de Agostinho não o inquietasse, ao ponto dele declarar a morte de Deus?  Haveriam estas tantas linhas de pensamentos na igualdade?
         Precisamos uns dos outros, ou pelo menos, em algum momento, precisaremos... Se Deus quiser, serão estas pessoas, estes remanescentes dos mais de 60 alunos, que estarão juntos na formatura em 2021...
         São estes rostos que veremos, que compartilharão uma foto ou ‘banner’ lá no polo, como os que nos observam a cada quarta feira...
         Então, não seria melhor um abaixar da guarda? Uma reavaliação de postura? Eu consigo fazer isto, faço sempre. E na maioria das vezes só ganho com isto. Talvez eu seja o ‘zangado’ reclamando das conversas, mas sei bem ser o amigo e o colega que ajuda naquilo que possam precisar e que de igual forma posso necessitar de suas ajudas, meus colegas...
         Que a gente mude este quadro, e transforme a UAB3 do Polo de Arroio dos Ratos em uma turma ativa e participante. Uma turma do tipo que a gente guarda para sempre e que faz parte de nossa história. Que seja uma turma que não canta ‘Amigos para sempre’ ou Canção da América na formatura de maneira falsa, mas que sejamos, de fato, uns para os outros aqueles, “para se guardar, no lado esquerdo do peito, dentro do coração”...
         Espero, de coração que pensem nisto...